Ao trabalho macacada !

Editorial, ou quase
Em 20/03/2012


Pois é, 3 a 2 no diante do rival é #fato. Agora é bola pra frente, depois desse treino no barradão, e corrigir as falhas. À Diretoria, mais uma vez, a missão de exigir mais qualidade na arbitragem. Aliás, coisa que já deveria ter exigido muito antes desse BaVi. Muito antes, até mesmo, da própria instabilidade diante do afastamento da diretoria. 

E, já que amigos nos questionam, com base em alguns comentários nossos, e perguntam de que lado estamos, não podemos dar outra resposta senão a mais simples: do lado do BAHÊA. Desejamos que os dirigentes do clube sejam verdadeiros líderes, jamais precisando de auto-promoção para que sejam reconhecidos pelo trabalho realizado. Entendemos que o bom trabalho é obrigação para quem assume e é bem remunerado e, principalmente, quando se fala em elaborar e conduzir um bom projeto para o clube é preciso que aconteçam muito mais acertos do que erros.

E aos que criticam todas as supostas oposições, diríamos que seria bom se no nosso dia-a-dia, extra futebol, tivéssemos uma oposição igual a essa que existe em torno do Esporte Clube Bahia. Trata-se de uma oposição feita por todos nós, torcedores, que estamos sempre de olho e prontos para reagir contra qualquer escorrego, seja na gestão ou na simples comunicação do clube com os seus fiéis seguidores. No ano passado, por exemplo, torcedores jogaram pesado quando o presidente dizia "calma, está tudo sob controle", ao tempo em que o clube tremia na vertigem de um possível novo rebaixamento. Na época muitos atiraram contra o presidente, com toda razão, inclusive porque o bastão havia sido passado para as mãos do fisgador, que terminou sendo fisgado como sardinha no anzol do Flamengo. Aquele "tudo sob controle" soava como uma bomba nos ouvidos da grande maioria, que questionou bastante no twitter e nos blogs. Na semana passada, ao contrário, depois da sentença que afastou diretoria e presidente, nada estava sob controle, nem  a "oposição 1", nem "oposição 2". Opa! Oposição 1 e 2? Brincadeiras à parte, se quem assume o poder vira situação, então, por 3 dias o grupo do MGF virou oposição. Mas,olha lá, não vale se zangar, presida! Sem ofensa, já que brincar e especular faz parte até no meio político, não é mesmo? E, afinal, democracia é coisa que parlamentar já está acostumado e, mesmo dentro do ringue, as excelências são sempre camaradas e não seria um computador a mais, ou a menos, que faria o Bahia ter mais, ou menos, sócios, não é verdade?

Aldeante! E, aqui seguimos, sem conhecer ou reconhecer "situação" ou "oposição", pois, assim como na vida real, no extra-futebol de cidadania e cidadão, vale mais o aprendizado diário no meio das ações e contradições. Na política de qualquer país, sabemos, e os presidentes também, que aqueles que estão no poder devem encontrar o melhor caminho para uma melhor qualidade para o população, além de ajudar o povo a ter cada vez mais discernimento e condição de exigir melhores resultados para a própria sociedade. Na prática sabemos que, infelizmente, tudo acontece muito diferente disso e até mesmo alguns presidentes terminam provando do seu próprio veneno, onde as posturas e decisões equivocadas e nada democráticas terminam por contaminar a todos e, em consequência, o lixo nada extraordinário termina retornando, em algum momento, para o próprio quintal de quem o gerou. E, para fechar, entre xingamentos de internautas machucadinhos diante dos questionamentos de alguns outros tricolores, nada como o saber popular: seja na política global ou "futebolal", vale tudo, pelo social, mas, o povo, como sempre, pelo elevador de serviço. 





Eles passarão... Eu passarinho!

publicado, em 14/03/2012


"Quem não deve, não teme". Aí está o velho ditado, que deveria dominar o dia no meio dos torcedores Bahia no dia de hoje. Sobre qualquer tema de interesse comum a todos, ou ao menos de interesse de muitas pessoas, quem tiver informações deve compartilhá-las com objetivo de ajudar na compreensão de qualquer fato. De modo contrário, quem não tiver muita informação para esclarecer, mas deseja compreender um fato, deveria ouvir aqueles que já conhecem melhor o assunto para, então, formar a sua própria opinião na medida em que passar a compreender melhor todos os detalhes que envolvem a situação. 

A torcida do Bahia acordou sobressaltada. Mais ainda estava o Marcelo Guimarães Filho. As razões, entre erros e acertos que são cometidos, para tanta exaltação, a maioria de nós certamente desconhece. De escuta, no twitter, foi fácil observar que uma massa de torcedores bradou com força durante toda manhã. Elogios a MGF e críticas destrutivas a tudo que possa ser, ou pareça ser oposição à gestão que vinha conduzindo o Esporte Clube Bahia até o dia de ontem. Memórias fortes ou memórias fracas, pensamentos aprofundados ou superficiais, e até mesmo falta de qualquer pensamento, vale tudo, desde que que "não mexam no que está dando certo".

A rigor, caros amigos torcedores, nós que vivemos apenas o lado da emoção, que não fazemos nada além de dedicar nossa vida a vibrar jogo-a-jogo, somos sempre massa-de-manobra. Alguns de nós sabemos disso e, mesmo conscientes, continuaremos a praticar a paixão pelo clube, vibrar, gastar o nosso din-din nos estádios, nos pacotes de TV, nas camisas de marca oficial, etc. Mesmo conscientes, nos entregaremos à causa, porém, com certo limite e resguardo, cuidaremos para que a nossa paixão não nos tire o senso crítico. Como foi dito aqui, em artigo publicado ontem, há um tipo de oposição diária que todos praticam, mesmo quando não levam o nome de oponentes: a ira do torcedor quando o clube perde, ou quando comete a bobagem de não saber valorizar seu próprio elenco, a sua base de jogadores e a sua própria história. Nessa hora bradamos, xingamos e desqualificamos qualquer "presida".

Hoje, no festival de cacetadas sobre Carlos Ratis e sobre a decisão da Justiça que destituiu, ao menos temporariamente, Marcelo Guimarães Filho, poucos se dispuseram a atuar de modo esclarecedor na rede-social. Nesse estilo aparece o jornalista @ederferrari82. Com ele o torcedor teve a chance, mesmo que dificilmente bem aproveitada, de ponderar melhor os fatos. Na prática, porém, após motivar reflexões e considerar que existem aspectos positivos em torno dos fatos, a maioria dos torcedores, provavelmente, voltou a panfletar a discórdia sobre a decisão da Justiça e enaltecer a figura do @marceloguima.

Obrigações à parte, parece que fazer coisas boas à frente de algum cargo importante torna as pessoas diferenciadas, quando na verdade o estranho seria não fazer as coisas acontecerem quando se assume cargo para atuar sobre coisas de interesse coletivo. Particularmente, prefiro não ter nada contra MGF e, por conveniência, não ter também muito a seu favor. Afinal, quem assume cargo em grandes clubes, a rigor, sim, é que deve reverências, no caso, aos seus ilustres e fiéis torcedores. E se esses são políticos, então, devem reverências a toda a sociedade.

E, para melhor compor a nossa reflexão e tanto desgaste, entre vaidades e estresses na nossa rede, um pouco de Mário Quintana não nos fará mal algum: 

"Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!"
 
(Prosa e Verso, 1978)

Liberdade e Libertadores andam juntos. E, quem são eles? Somos todos nós

por Carlos Lopes - Colaborador em 13/03/2012

Como pode ser observado por todos e, de modo especial, por aqueles que analisam e levam notícias para os 4 cantos, o Bahia vive um início de temporada diferenciado em relação ao histórico dos últimos 10 anos. Deixando para trás os tradicionais tropeços e dúvidas, cercado por gestões que viviam mais de promessas do que atitudes consistentes, o tricolor parece começar a colher alguns aprendizados a partir dos sofrimentos passados e, mais especificamente, do ano de 2011. Com manutenção de alguns jogadores importantes no último Brasileirão, destacando Marcelo Lomba, Titi e Souza, o Bahia tem ainda de positivo jogadores aplicados e comprometidos com o projeto, como Fahel. E para os torcedores, que se organizam e usam dos meios eletrônicos para ficar cada vez mais perto das decisões, maior agrado em contemplar o crescimento e a permanência de jogadores da base, onde Gabriel é o símbolo do momento. Ávine, o xodó que está de molho e quase pronto para retornar a campo, teve forte articulação dos dirigentes para a sua saída, dada como certa pela cartolagem, anunciada e tentada pelos gestores no final de 2011. Uma parte dos que acompanharam  o que seria o despacho do ídolo não têm dúvida do quanto valeu a pressão popular.

Aliado a um esse momento de recomeço muito mais convincente e permanência dos nomes citados, a força do torcedor e toda a sua organização e representação nas redes sociais, blogs e websites com saudável papel de oposição, destaques ao Semprebahia e Ecbahia, a fiscalização, independente e extra-oficial, demonstram forte influência na correção e prevenção de decisões que fugiriam ao interesse principal do clube. Melhor até mesmo para eles, dirigentes, que, sem a pressão externa, estariam certamente mais sujeitos aos efeitos negativos das tradicionais decisões estabanadas, onde se montava e desmontava sem formar unidade técnica e espirito de equipe.


No meio do desespero, até mesmo a chegada de técnicos caros, 'marqueteiros'  e descompromissados fizeram o teste de paciência sobre o torcedor. Para caracterizar a polêmica passagem do Renato Gaucho é suficiente relembrar apenas alguns trechos de depoimento do ilustre Ronaldo Passos, ex atleta de renome, campeão brasileiro pelo Bahia e apaixonado pelo clube, e que dizia, no Semprebahia em setembro de 2010:  ' ...A direção do Bahia custou a trazer um profissional de gabarito para gerir o futebol e, principalmente, com autonomia para tomar as decisões sem pressão e sem nenhum “CORNETEIRO” que vive de cornetear os outros e fomentar crise no clube". Qualquer torcedor de razoável memória sabe que Ronaldo se referia ao ciclo que havia se encerrado com a saída de Renato Gaucho. E Ronaldo prossegue no mesmo artigo: "Caros amigos, a grande tacada foi a pedida de demissão do ex-treinador que só desagregava o grupo, humilhando os mais jovens que hoje estão dando a resposta como VANDER, ANANIAS, MARCONE e ÁVINE (um dos bons laterais do Brasil)". Tudo muito simples, claro e evidente notar os erros cruciais que na ocasião estariam levando o Bahia a permanecer onde estava, sem subir para a elite. No milagre da multiplicação dos pães, diga-se, da multiplicação dos talentos e espírito de equipe, um comprometido Márcio Araújo valeria muito mais do que corneteiros ou marqueteiros (que confundem o significado do valor correto do marketing bem aplicado). Releia, completo, o depoimento de Ronaldo Passos no SempreBahia, em 2010, reta final para a festa de retorno.

Nossa esperança, independente de quem assuma poderes no Bahia, é que a humildade faça sempre um pacto com a vontade de trabalhar bem pelo clube. Entre erros e acertos, muitos altos e baixos, sobressaltos típicos de tomadas de decisões que levam a riscos desnecessários. Nós torcedores até teríamos o direito de cair na ilusão com a contratação de um equivocado Joel, sem compromisso, decadente e com ética profissional muito aquém do que esperávamos. Ver, no entanto, a direção passar o bastão para quem puxava o clube para um novo abismo era inadmissível. E, para surpresa, na saída festejada desse engodo, quem apareceu como um dos primeiros da lista foi justamente o RG. 


Feliz surpresa viria, graças ao bom deus-dos-tricolores, a boa ética se avizinhava novamente e, mesmo com discursos tresloucados que ainda valorizavam um possível retorno de petisco de sardinha em algum futuro, surge o Paulo Roberto Falcão. Portas abertas para um novo momento, ainda que unanimidade seja utópica, muito bom constatar a guinada tricolor no campeonato, recheada por um aproveitamento de 85% nos últimos 7 jogos. Poderia ter sido 100%, mas, talvez melhor assim, para manter os pés no chão e seguir líder, porém ciente de que do outro lado serão sempre 11 jogadores a serem superados, jogo-a-jogo, inclusive na fase do mata-mata.


Por tudo isso a Nação Tricolor foi e está sendo convocada a dizer sim ao Falcão, que veio inclusive com discurso para longo prazo de boa relação profissional, consciente de que no caminho há também pedras e tropeços, valorizando o grupo e os testes nos momentos certos. Quanto aos jogadores em campo, vaias, JAMAIS, ao operário atleta que luta com empenho e comprometimento para acertar. Assim como o Souza e alguns atletas superaram dificuldades em 2011, outros, principalmente mais jovens, podem crescer e serem importantes para o Bahia. A caminhada se afunila mais uma vez e, além do recheio de começar bem a Copa do Brasil, o Bahia segue na frente e tem tudo para erguer a tão esperada taça do Baianão 2012. Depois disso, prezados companheiros, portas abertas para almejar a terceira estrela. Liberdade e Libertadores andam juntos. E, quem são eles? A resposta, como certamente seria a simples e inteligente avaliação do Ronaldo Passos: somos todos nós.

Torcedor do Bahea deixa TVBAHIA muda

Por: Analista do aotribahia

Canais pagos, tv fechada, tv aberta, Internet, telefonias sofisticadas e mais um monte de opções num mundo 100% satelitizado. Tudo pra nós, que maravilha! Tá achando pouco? Você tá achando que era melhor no tempo do futebol ouvido no rádio? Sem polemizar mais, ufa!, que estresse, mais uma vez aqui escrevendo e, de repente, travou a janela de edição. Ops, inda bem que não demorou muito e já abri novamente, depois de passar por outros 10 aplicativos que estavam na frente, 3 deles travando e mais um pedindo atualização. Já voltei ao texto mas infelizmente perdi todo um parágrafo. Uhmmm, tem nada não, refazer o pensamento já é rotina nesse mundo high-tech.

Nessa quarta-feira, pra compensar, vou relaxar: chegar em casa e jogar o estresse "pras cucuia mano". Depois das 8 ninguém me tira sarro, porque vou ficar na concentração em frente da TV, no canal da "G"-lobo, pra assistir umas notícias maneiras no JN (tá duvidando, é? Tenho filtro [tapa-rolha anti-spam] que não me deixa ouvir notícia pesada antes do jogo do meu BaHea). E, assim que terminar novela, aí vou tá largado na estréia do Bahea no automobilismo, hehe, Auto Esporte X Bahia, 21h50, vi na grade da TV e separei também uma grade de cervejota pra meia-dúzia de brode que já chamei. Vou até ligar pro Bolota e confirmar pra chegar é cedo que não quero azarar o clássico que só vai ter jogo é de ida.

- E aí, fala Bolota, blz? Tudo combinado, lhe esperando logo depois das 8 e já deixei as loura na conserva... Como é, véi?!!!, cancelaram a p.. da transmissão do jogo do meu Bahêa!?$%#@! Cê tá brincando comigo ou a TV Bahia tá sem moral pra barrar o pacotão dos flamidianos e seus seguidores? Pior é que é verdade, né? Uma meia dúzia de patrocinadores do mercadão empurrando uma só idéia de Sul a Norte. E eu que tava falando na festa da tecnologia, to vendo que os caras querem juntar mais dinheirama por lá e sempre tentam tirar o meu Bahea do caminho. Não, Bolota, to nervoso não, to só é apoquentado com mais esse miserê de interesse esquisito que eles tentam jogar pra nós. Apoquentei, mas vai passar porque sei que vou assistir o jogo com a turma de qualquer modo. E se não sai na TV, a gente liga o rádio, reunido que nem a turma de antigamente. 


Ai, Bolota, tá valendo, espero todo mundo na hora do jogo. E nada de ligar TV. Nós vamo é no rádio! Pessoal do aotribahia também vai chegar junto. Vou mandar logo é um tuite e você retuita aí pra zoar a galera. Nessa quarta-feira a Tvbahia vai ficar é muda.

#DeixaOsMeninosJogarem e #FalcãoNoComando


Publicado em
26/02/2012

Ajudando o torcedor a ter paciência. #DeixaOsMeninosJogarem ... sem vaias em Pituaçu

E, sem defender esse-ou-aquele-jogador, vale acreditar no elenco, principalmente naqueles que se dedicam de corpo e alma.

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Jones da Silva Lopes - A bola da vez

publicado em 
24/02/2012

Douglas, Bobô, Charles, Ronaldo Passos, entre tantos outros ex atletas tricolores em diferentes tempos, o que eles têm em comum? Antes da resposta,  bom também dar uma passadinha pelos tempos atuais e ver a história de Ávine, Dodô, Maranhão e Gabriel, sem esquecer de outros não citados. No meio de nomes talentosos, sabemos, também muita controvérsia, já que no mundo do futebol a paixão fala muito mais forte do que a razão, onde as arquibancadas estão repletas de "técnicos" dedicados e exigentes. 

Em torno do atleta de hoje existem cada vez mais empresários, patrocinadores, publicidade e mídias, onde, como diria uma personagem de novela da tv, cada gol, ou cada não gol (que o diga o Deivid do Flamengo), é um flash.

Citados Ávine e Dodô, ambos na lateral esquerda do Bahia, dois exemplos de origens diferentes, o primeiro, da base e mesmo com apenas 24 anos já tem cerca de 10 anos no clube. Ao contrário, Dodô veio emprestado em 2011 e foi afastado por contusão grave, mas não sem antes ganhar a confiança e unanimidade dentro do estádio de Pituaçu. Esses dois laterais, no entanto, passaram antes pela ira e pelas vaias do torcedor mais impaciente e intolerante a erros ou, simplesmente, intolerantes ao tempo de maturação de cada jogador. Ávine teve sofrimento mais longo, aguerrido em momentos históricos de tristeza tricolor na terceira e na segunda divisão, quando ele estava presente e, ao contrário de muitos torcedores, Ávine foi tolerante às vaias e cobranças duras, seguro da necessidade da sua entrega total no objetivo de jogar o seu melhor futebol. O jovem Ávine cresceu no Bahia e é um atleta seguramente consagrado pelos torcedores há pelo menos 2 anos. As suas contusões ao longo de 2011 deram espaço para o jovem Dodô passar pelo mesmo drama das cobranças no caldeirão azul vermelho e branco. O resultado, esperado ou surpreendente, foi a consagração de mais um lateral esquerdo que virou xodó no final do último Campeonato Brasileiro. As diferentes histórias de Ávine e Dodô desafiam o torcedor sobre a necessidade de tolerância e paciência com os seus jovens atletas.

Em paralelo a essa condição estão aqueles que comentam sobre o desempenho dos atletas e, se ao final de cada jogo de futebol tivéssemos que escolher os piores comentários das rádios e tvs, para não dizer "escolher os piores comentaristas", ou, amenizando mais "escolher os comentaristas que foram menos felizes no uso das suas respectivas palavras", provavelmente não teríamos uma lista pequena de candidatos. Aos formadores de opinião, sabemos, cabe informar para formar, ou seria melhor dizer "formar para informar"? Nessa última fica implícita a necessidade de formar (analisar) o seu próprio juízo de valor antes de levar a sua voz e crítica ao microfone e a todos os meios de publicação em massa. Mas tudo é dinâmico e rápido o suficiente para favorecer os atropelos. Assim como no parágrafo anterior, muitos talentosos serão queimados vivos e outros já estão sendo constantemente sufocados e sem chance de melhorar o seu percurso dentro do clube em que atuam. Claro, afinal, atletas vivem de emoção, que é um sentimento fundamental para o equilíbrio e a confiança naquilo que fazem. A razão nos leva a pensar, raciocinar demais, isso é bom, claro, mas é algo para ser feito fora do campo. Dentro das 4 linhas, como dizem os maiores craques e entre eles o rei de todos os tempos: se pensar, não faz. Emoção, explosão e confiança, tudo integrado. De onde vem então essa energia, essa confiança? Se estiver jogando em casa, não temos dúvida, a maior confiança vem da massa que apoia, que vibra, que acredita no seu atleta. Ao jogar no território adversário a crença segue em cada jogador, na trilogia que soma emoção, explosão e confiança com resultados maiores do que qualquer raciocínio previamente elaborado. O atleta leva a força da sua nação para outras terras. Em sua bagagem leva uma montanha de emoções.

Dodô Pires se emocionou ao final da temporada 2011, infelizmente interrompida antes do que se esperava. Ao levar a solapada que o tirou dos gramados por nada menos que 6 meses, Dodô viveu como nunca o reconhecimento da nação tricolor, mas levou também a lembrança de dias tristes em que tinha como maior adversário o próprio torcedor do Bahia. Foram 3 a 4 meses de instabilidade e sem nenhum reconhecimento até que ele pudesse superar a onda de absoluta desconfiança. A nação é também cruel e, na maioria das vezes, tira dos jovens a condição emocional para mostrar o seu talento. Em 2011 até mesmo o experiente Souza passou por maus bocados, a ponto dos dirigentes precisarem sair em sua defesa e alertar os torcedores sobre o histórico do jogador, com resultados relevantes em grandes clubes.

Diretorias, gestores de futebol e técnicos erram, sabemos disso. Insistir no erro e encarar a ira do torcedor quando acreditam em jovens talentos é, no entanto, uma causa nobre. Torcedores e profissionais da imprensa precisam ser responsáveis, mesmo sem deixar de fazer as críticas. Voltando ao ponto inicial dessa prosa: sejam os históricos craques Douglas, Bobô, Charles e Ronaldo Passos ou o brasileiríssimo Jones da Silva Lopes, o que afinal eles têm em comum? A resposta é simples: a dificuldade em superar a desconfiança do torcedor a qualquer sinal de erro ou de jogada improdutiva. 


Passada a turbulência do ano de 2011, quando a era Jobson levou a torcida do extase, da reverência ao craque ao aplauso à diretoria pela sua dispensa, vivenciamos também as sapecadas em Souza, Robert (esse, então, só tropeços), além de outros. Mas restou ao Jones o maior teste de tolerância, no centro do alvo para ser apedrejado mesmo diante da sua aprovação por todos os técnicos que passam pelo Bahia. Se falta uma explicação da diretoria do clube para a sua permanência, falta também ao torcedor e à imprensa a percepção de que ninguém consegue nadar bem contra a correnteza. O Bahia goleou o Fluminense de Feira nessa quinta-feira em Pituaçu e, mesmo assim, entenderam como necessário apontar o pior jogador do Bahia em campo. Na ausência de um atleta que tenha desequilibrado o grupo, os donos da voz na rádio soltaram o bordão no Jones. Na visão do Falcão o Jones cumpriu bem o desafio. Nos 30 minutos finais em que atuou, ainda que não tenha participado em muitas jogadas, com ele em campo o grupo fez mais 3 gols.

Comparações à parte, Jones pode estar longe de ser o craque sonhado pelo torcedor, assim como não era também o Ávine de 4 ou 5 anos atrás. O próprio Dodô seria, 3 meses antes do seu auge tricolor, detonado num suposto paredão ao estilo bigbrother caso fosse dado aos torcedores o direito de eliminação do craque.


Em comum, então, entre atletas jovens, medianos ou com mais de 30, craques ou não, é a constatação de que a linha divisória entre o erro e o acerto, entre cair na graça ou na desconfiança do torcedor, é muito tênue. Charles, antes de ser campeão pelo Bahia em 88, caminhava para desistir da carreira, desanimado com o seu desempenho e reconhecimento. Superou, venceu e passou com méritos pela Seleção Brasileira. Se os exemplos parecem esquecidos vale alertar que desconfiar dos talentos dos atletas e fazer a crítica construtiva é uma atitude profissional. Respeitar os jovens, seus potenciais e direitos de errar e acertar, é obrigação de todos.



Comente, torcedor!

Confiança na história, no craque, no técnico

Paulo Roberto Falcão: competência, disciplina, rapidez no raciocínio e espírito de equipe. Por onde passou, um show de futebol. Craque com enorme talento mostrado ao longo de toda a carreira. Não bastassem os atributos técnicos, o valor humano exemplar que sempre deixou evidente no Brasil e no mundo. Acreditamos que o Falcão-técnico oferecerá ao Bahia a mesma intensidade e dedicação que sempre colocou em campo. E o retorno às gloriosas conquistas tricolores será, tão somente, consequência. Paciência e confiança, companheiros torcedores. Pra resumir, apreciem as imagens onde cada movimento vale por mil palavras.



panis et circenses! Que é isso, presida?

Diante do histórico dos últimos anos, série-c, fundo do poço e o povo na rua em busca do resgate da dignidade, observamos um Bahia que parece depender de salvadores da pátria. Esses, no entanto, chefes de ocasião, vão no mesmo modelo, mesmo que a fachada seja moderna, já que a estrutura viciada se mantém. 


No percurso mais recente, com 2011 na série-A e momentos eventuais de brilho, como no jogo de superação diante do São Paulo em Pituaçu, o torcedor aproveitou para rasgar seda. Coisa natural para uma parte da torcida, eufórica com nas interações via twitter e rede em geral, onde tudo parece trazer mais democracia e escuta ao clamor popular. Nesse ambiente e contexto, o presida aproveita para interagir, se auto-destacar e fazer a festa junto com a galera.


As aparências, no entanto, infelizmente, enganam. Na prática, o uso da massa, ou uso da boa fé da massa, que no momento da festa sempre se contenta com o panis et circenses. Pão e circo, receita simples para iludir o povo. A origem dessa reflexão sobre o "panis et circenses" está no século I, nas sátiras romanas de Juvenal e, seja na vida cotidiana, na política do país, do estado ou em qualquer cidade, segue impregnada nas relações de poder estabelecidas por governantes e legisladores. E como tudo está interligado, claro, a prática se estende para tudo que atende ao clamor popular, principalmente nas ações que envolvem muito dinheiro, decisões e emoções. Em outras palavras, panis et circenses tem prato cheio no mundo do futebol.


E não é que no meio da turbulência veio o circo, que teve momento auge há 2 dias, na confirmação da saída do Joel que afirma não ver o Bahia como sardinha mas fugiu animado para um clube tubarão tão logo derrubaram o talentoso, também auto-pomposo, Luxemburgo? Que bom para os dirigentes, né? O lançamento de camisas Nike e promessas de participação do torcedor, com direito a escolher o modelo do vestuário a ser lançado em 2012. Um belo circo para disfarçar o impacto e amenizar as pisadas estilosas (*1) na cabeça do torcedor. Estilosa, será mesmo? Será esse o projeto de democratização do clube, fazer o torcedor se contentar em apenas escolher leiaute de padrão do vestuário?


Pois é, interpretamos como estilosa. Coerente interpretar assim, já que convence uma parte de muitos que são dedicados torcedores tricolores. É claro que o momento é de comemorar também a chegada da Nike, mas, na contramão do sentimento da nação sobre a saída do Joel Santana, o presidente enaltece o profissional e afirma que ele saiu, mas as portas ficam abertas. O presidente aposta no circo, né? Só pode! Afinal, ele é inteligente o suficiente para saber o tamanho da bobagem que diz ao elogiar um técnico que abandonou o barco dessa forma. Recorde no twitter, a hashtag #JoelSardinha bombou nos protestos dessa sexta-feira. O digno, de verdade, seria o presidente aparecer no twitter, como é prática, e utilizá-lo como tribuna, no entanto, para apresentar justificativas sinceras sobre os bastidores: Joel voltaria para a casa de quem? Seria a casa do Marcelinho, ou do Marcelão? Afinal, na cabeça do torcedor, a casa do Esporte Clube Bahia pertence, apenas, aos torcedores. Teoricamente, cabe a eles, os torcedores, no mínimo, o direito de serem ouvidos e respeitados nesse momento de angustia e de indignação pelo modo que se deu o desfecho da relação entre Bahia e #JoelSardinha.


(*1) estilosa - já que atinge negativamente o torcedor, sem que ele perceba

Eu não sou cachorro não!

Publicado em 02/02/2012
Waldick Soriano 

Eu não sou cachorro não, dizia Waldick Soriano, compositor e cantor romântico de renome e destaque nacional. A música comunicava com recado simples e direto para a mulher amada, que jamais deve tratar o seu companheiro como cachorro. Alguns, supostamente de certas elites culturais, zombavam do artista, que, de brega a chique, quisessem ou não, marcava presença na vida dos brasileiros.


O Waldick passou, mas, e a sua música dele, tem algo a dizer a nós?


Pompas, destaques, ... compromisso?


Tem sim, para nós, torcedores tricolores, que em 2011 vimos o Bahia ser tratado como peixe miúdo e, meses depois, depositamos nossas esperanças no Joel Santana, seria natural esperar que a sua postura fosse de maior compromisso e continuidade no trabalho. O Joel do anzol, "esperando peixe graúdo, sardinha não", deve estar sorrindo ao imaginar que fisgou um peixe graúdo chamado Flamengo. Mas, ao mesmo tempo, pode ter sido ele o fisgado: pela força da grana que ergue e destrói coisas belas. Se a grana vai ser mesmo maior, no entanto, vai depender do seu sucesso no clube que é cercado pela maior estrutura de mídia no país.


Acostumados, que somos, em ver esse movimento de passagem de "ilustres" técnicos com "maiores saberes" pelo "nosso" Fazendão, mesmo assim, ainda nos surpreendemos. E, mesmo que ouçamos a diretoria, pela voz do seu presidente, se alegrar por momentos tidos como dos mais gloriosos ao devolver a série-A após mais de 7 anos e destacar, na visão dele, como maior referência nessa conquista, a passagem de Renato Gaúcho, justamente o técnico que tinha como prática, após cada jogo, despachar a culpa nos seus soldados, que, segundo o próprio RG, nunca colocavam em prática, dentro do campo, as suas "preciosas" instruções.
Márcio Araújo, a missão...


No início do Brasileirão de 2010 Renato Gaúcho se foi, para a nossa felicidade. No rastro da sua saída veio a tentativa de afastar o jogador Jael, ídolo da época, dos seus torcedores. A missão real de subir a ladeira ficou nas mãos do Márcio Araújo, que vestiu a camisa tricolor sem jamais desonrá-la. Mas, voltando às surpresas anunciadas, o Joel, que ao chegar teve que rodopiar nas palavras para tentar justificar o Bahia que não é sardinha, foi embora por vontade própria, sem conquistar título e sem arriscar perdê-lo. Saiu pela via do descompromisso e em busca de maior visibilidade na mídia. Para completar, Joel Santana também pode deixar rastros e prejudicar a estrutura do Bahia: Paulo Angione pode ir para o Flamengo. 






Alguns comentarão que tudo isso faz parte do mundo do futebol e poderemos nos esforçar para compreender. E, mesmo que muitos argumentos não levem ao convencimento, "rei morto, rei posto". Resta-nos esperar que a diretoria mantenha a casa arrumada e, principalmente, os atletas focados no trabalho. Que venha o próximo e, por enquanto, que o interino Eduardo Souza faça o espetáculo acontecer. Espetáculo simples e belo que é o futebol, porém, eles esquecem disso na medida em que intere$$e$ maiore$ prevalecem.