panis et circenses! Que é isso, presida?

Diante do histórico dos últimos anos, série-c, fundo do poço e o povo na rua em busca do resgate da dignidade, observamos um Bahia que parece depender de salvadores da pátria. Esses, no entanto, chefes de ocasião, vão no mesmo modelo, mesmo que a fachada seja moderna, já que a estrutura viciada se mantém. 


No percurso mais recente, com 2011 na série-A e momentos eventuais de brilho, como no jogo de superação diante do São Paulo em Pituaçu, o torcedor aproveitou para rasgar seda. Coisa natural para uma parte da torcida, eufórica com nas interações via twitter e rede em geral, onde tudo parece trazer mais democracia e escuta ao clamor popular. Nesse ambiente e contexto, o presida aproveita para interagir, se auto-destacar e fazer a festa junto com a galera.


As aparências, no entanto, infelizmente, enganam. Na prática, o uso da massa, ou uso da boa fé da massa, que no momento da festa sempre se contenta com o panis et circenses. Pão e circo, receita simples para iludir o povo. A origem dessa reflexão sobre o "panis et circenses" está no século I, nas sátiras romanas de Juvenal e, seja na vida cotidiana, na política do país, do estado ou em qualquer cidade, segue impregnada nas relações de poder estabelecidas por governantes e legisladores. E como tudo está interligado, claro, a prática se estende para tudo que atende ao clamor popular, principalmente nas ações que envolvem muito dinheiro, decisões e emoções. Em outras palavras, panis et circenses tem prato cheio no mundo do futebol.


E não é que no meio da turbulência veio o circo, que teve momento auge há 2 dias, na confirmação da saída do Joel que afirma não ver o Bahia como sardinha mas fugiu animado para um clube tubarão tão logo derrubaram o talentoso, também auto-pomposo, Luxemburgo? Que bom para os dirigentes, né? O lançamento de camisas Nike e promessas de participação do torcedor, com direito a escolher o modelo do vestuário a ser lançado em 2012. Um belo circo para disfarçar o impacto e amenizar as pisadas estilosas (*1) na cabeça do torcedor. Estilosa, será mesmo? Será esse o projeto de democratização do clube, fazer o torcedor se contentar em apenas escolher leiaute de padrão do vestuário?


Pois é, interpretamos como estilosa. Coerente interpretar assim, já que convence uma parte de muitos que são dedicados torcedores tricolores. É claro que o momento é de comemorar também a chegada da Nike, mas, na contramão do sentimento da nação sobre a saída do Joel Santana, o presidente enaltece o profissional e afirma que ele saiu, mas as portas ficam abertas. O presidente aposta no circo, né? Só pode! Afinal, ele é inteligente o suficiente para saber o tamanho da bobagem que diz ao elogiar um técnico que abandonou o barco dessa forma. Recorde no twitter, a hashtag #JoelSardinha bombou nos protestos dessa sexta-feira. O digno, de verdade, seria o presidente aparecer no twitter, como é prática, e utilizá-lo como tribuna, no entanto, para apresentar justificativas sinceras sobre os bastidores: Joel voltaria para a casa de quem? Seria a casa do Marcelinho, ou do Marcelão? Afinal, na cabeça do torcedor, a casa do Esporte Clube Bahia pertence, apenas, aos torcedores. Teoricamente, cabe a eles, os torcedores, no mínimo, o direito de serem ouvidos e respeitados nesse momento de angustia e de indignação pelo modo que se deu o desfecho da relação entre Bahia e #JoelSardinha.


(*1) estilosa - já que atinge negativamente o torcedor, sem que ele perceba

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