por Carlos Lopes - Colaborador em 13/03/2012
Como pode ser observado por todos e, de modo especial, por aqueles que analisam e levam notícias para os 4 cantos, o Bahia vive um início de temporada diferenciado em relação ao histórico dos últimos 10 anos. Deixando para trás os tradicionais tropeços e dúvidas, cercado por gestões que viviam mais de promessas do que atitudes consistentes, o tricolor parece começar a colher alguns aprendizados a partir dos sofrimentos passados e, mais especificamente, do ano de 2011. Com manutenção de alguns jogadores importantes no último Brasileirão, destacando Marcelo Lomba, Titi e Souza, o Bahia tem ainda de positivo jogadores aplicados e comprometidos com o projeto, como Fahel. E para os torcedores, que se organizam e usam dos meios eletrônicos para ficar cada vez mais perto das decisões, maior agrado em contemplar o crescimento e a permanência de jogadores da base, onde Gabriel é o símbolo do momento. Ávine, o xodó que está de molho e quase pronto para retornar a campo, teve forte articulação dos dirigentes para a sua saída, dada como certa pela cartolagem, anunciada e tentada pelos gestores no final de 2011. Uma parte dos que acompanharam o que seria o despacho do ídolo não têm dúvida do quanto valeu a pressão popular.
Aliado a um esse momento de recomeço muito mais convincente e permanência dos nomes citados, a força do torcedor e toda a sua organização e representação nas redes sociais, blogs e websites com saudável papel de oposição, destaques ao Semprebahia e Ecbahia, a fiscalização, independente e extra-oficial, demonstram forte influência na correção e prevenção de decisões que fugiriam ao interesse principal do clube. Melhor até mesmo para eles, dirigentes, que, sem a pressão externa, estariam certamente mais sujeitos aos efeitos negativos das tradicionais decisões estabanadas, onde se montava e desmontava sem formar unidade técnica e espirito de equipe.
No meio do desespero, até mesmo a chegada de técnicos caros, 'marqueteiros' e descompromissados fizeram o teste de paciência sobre o torcedor. Para caracterizar a polêmica passagem do Renato Gaucho é suficiente relembrar apenas alguns trechos de depoimento do ilustre Ronaldo Passos, ex atleta de renome, campeão brasileiro pelo Bahia e apaixonado pelo clube, e que dizia, no Semprebahia em setembro de 2010: ' ...A direção do Bahia custou a trazer um profissional de gabarito para gerir o futebol e, principalmente, com autonomia para tomar as decisões sem pressão e sem nenhum “CORNETEIRO” que vive de cornetear os outros e fomentar crise no clube". Qualquer torcedor de razoável memória sabe que Ronaldo se referia ao ciclo que havia se encerrado com a saída de Renato Gaucho. E Ronaldo prossegue no mesmo artigo: "Caros amigos, a grande tacada foi a pedida de demissão do ex-treinador que só desagregava o grupo, humilhando os mais jovens que hoje estão dando a resposta como VANDER, ANANIAS, MARCONE e ÁVINE (um dos bons laterais do Brasil)". Tudo muito simples, claro e evidente notar os erros cruciais que na ocasião estariam levando o Bahia a permanecer onde estava, sem subir para a elite. No milagre da multiplicação dos pães, diga-se, da multiplicação dos talentos e espírito de equipe, um comprometido Márcio Araújo valeria muito mais do que corneteiros ou marqueteiros (que confundem o significado do valor correto do marketing bem aplicado). Releia, completo, o depoimento de Ronaldo Passos no SempreBahia, em 2010, reta final para a festa de retorno.
Nossa esperança, independente de quem assuma poderes no Bahia, é que a humildade faça sempre um pacto com a vontade de trabalhar bem pelo clube. Entre erros e acertos, muitos altos e baixos, sobressaltos típicos de tomadas de decisões que levam a riscos desnecessários. Nós torcedores até teríamos o direito de cair na ilusão com a contratação de um equivocado Joel, sem compromisso, decadente e com ética profissional muito aquém do que esperávamos. Ver, no entanto, a direção passar o bastão para quem puxava o clube para um novo abismo era inadmissível. E, para surpresa, na saída festejada desse engodo, quem apareceu como um dos primeiros da lista foi justamente o RG.
Feliz surpresa viria, graças ao bom deus-dos-tricolores, a boa ética se avizinhava novamente e, mesmo com discursos tresloucados que ainda valorizavam um possível retorno de petisco de sardinha em algum futuro, surge o Paulo Roberto Falcão. Portas abertas para um novo momento, ainda que unanimidade seja utópica, muito bom constatar a guinada tricolor no campeonato, recheada por um aproveitamento de 85% nos últimos 7 jogos. Poderia ter sido 100%, mas, talvez melhor assim, para manter os pés no chão e seguir líder, porém ciente de que do outro lado serão sempre 11 jogadores a serem superados, jogo-a-jogo, inclusive na fase do mata-mata.
Feliz surpresa viria, graças ao bom deus-dos-tricolores, a boa ética se avizinhava novamente e, mesmo com discursos tresloucados que ainda valorizavam um possível retorno de petisco de sardinha em algum futuro, surge o Paulo Roberto Falcão. Portas abertas para um novo momento, ainda que unanimidade seja utópica, muito bom constatar a guinada tricolor no campeonato, recheada por um aproveitamento de 85% nos últimos 7 jogos. Poderia ter sido 100%, mas, talvez melhor assim, para manter os pés no chão e seguir líder, porém ciente de que do outro lado serão sempre 11 jogadores a serem superados, jogo-a-jogo, inclusive na fase do mata-mata.
Por tudo isso a Nação Tricolor foi e está sendo convocada a dizer sim ao Falcão, que veio inclusive com discurso para longo prazo de boa relação profissional, consciente de que no caminho há também pedras e tropeços, valorizando o grupo e os testes nos momentos certos. Quanto aos jogadores em campo, vaias, JAMAIS, ao operário atleta que luta com empenho e comprometimento para acertar. Assim como o Souza e alguns atletas superaram dificuldades em 2011, outros, principalmente mais jovens, podem crescer e serem importantes para o Bahia. A caminhada se afunila mais uma vez e, além do recheio de começar bem a Copa do Brasil, o Bahia segue na frente e tem tudo para erguer a tão esperada taça do Baianão 2012. Depois disso, prezados companheiros, portas abertas para almejar a terceira estrela. Liberdade e Libertadores andam juntos. E, quem são eles? A resposta, como certamente seria a simples e inteligente avaliação do Ronaldo Passos: somos todos nós.

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