Por Carlos Lopes
Colaborador, Em 25/03/2012
Colaborador, Em 25/03/2012
Diante dessa guerra entre torcedores em São Paulo, perguntamos: e nós, tricolores baianos e também rubro-negros, para onde caminhamos? Onde será que vai dar a onda coletiva de "brincadeiras" que nos fazem ver o outro sempre como desqualificado? Se é apenas brincadeira, e for entendido assim, nada mal. Infelizmente, não é tão simples quanto parece. Imaginemos as crianças de hoje vendo seus pais, tios, os mais velhos, amigos e vizinhos que se referem com intolerância aos outros que torcem para o clube rival. Lá na frente, se os jovens se transformarem em "bando de loucos", alguém será responsável?
No meio disso, outros agravantes: os menos esclarecidos, ao menos em potencial, a exemplo daqueles que tiveram menores oportunidades de acesso a educação formal, encontram-se no estádio com técnicos, mestres ou especialistas de diversas profissões, cidadãos que, no contexto econômico brasileiro pertencem a uma classe média relativamente alta. Esses, gritam palavras de ordem para colocar os torcedores rivais no seu devido lugar, supostamente o lugar dos burros, ignorantes, mal sucedidos, sem usar aqui os reais adjetivos que "nós torcedores" nos identificamos de corpo e alma.
Nada de mais, não é mesmo? Como diria um dos artistas mais populares em uma de suas músicas românticas: tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, crescendo.
Antes fosse mera brincadeira, peninha, mas não é, porque na prática a taboa empena e a ponte desmorona. Alguém duvida que, hoje, nas redes sociais, virtuais ou ombro-a-ombro, olhos nos olhos, já não estamos selecionando os nossos amigos em função do clube que eles colocam no coração? Por aqui, entre poucos amigos e colaboradores, felizmente observamos muitos tricolores com bons amigos que são torcedores do Vitória. E se, entre aqueles que vivem do futebol, amenizar é preciso, imagine entre os torcedores, que teoricamente apreciam seus clubes apenas para serem mais felizes! Haveria outro motivo? A resposta pode ser polêmica, não é mesmo? Polêmica, com certeza, já que é possível observar muitos torcedores atirados num discurso fervoroso, que passa pela exaltação ao clube e, até mesmo, pela exaltação aos cartolas que por algum momento produzem melhorias dentro do clube, sejam eles políticos, empresários ou carreirista de ocasião, com seus projetos e metas pessoais.
Mas o foco nesse texto é o torcedor e a sua postura pacífica na vida. Ser pacífico, na vida, caro torcedor, é cuidar também do destino do bom futebol. Hoje o problema se mostra maior em São Paulo, onde a rivalidade que deveria estar somente entre atletas no show do futebol, leva a arena para além da arquibancada. E o nosso caminho, na Bahia, será diferente? Ou o drama é apenas proporcional ao tamanho da nossa capital? Mais detalhes podem ser observados e deve ser fácil concluir: em São Paulo, há algumas décadas, com ou sem redes sociais virtuais, os pais dos torcedores guerreiros de hoje, provavelmente atuavam como nós atuamos hoje na Bahia: rivalizando, selecionando, ridicularizando, sempre, o outro. Vale ter cuidado e pensar para onde queremos levar a paixão pelo nosso clube.
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