Por Carlos Lopes - colaborador
18/12/2011
É tudo muito simples, como vimos no jogo contra o Santos na final do mundial de clubes nesse domingo no Japão: basta tocar a bola.
Pois é, simples assim, com toque de bola que garante o domínio do jogo por todo o tempo. Sem a bola, como é que o adversário vai conseguir jogar? Ao mesmo tempo, contrariando essa lógica do "é simples, basta tocar a bola com precisão", depois do jogo entre Santos e Barcelona ouvi alguns amigos dizendo que "não é bem assim não, isso demanda muito investimento, muito treinamento e muitos anos para se chegar na condição técnica que o Barcelona está hoje". E eu, simples assim, como um ignorante desse mundo do futebol que parece se reinventar, insisti em analisar que, antes do Brasil ser campeão em Copa do Mundo, coisas do meu tempo de menino, os Brasileiros assistiam, ou ouviam pelo rádio, a maestria do futebol europeu, que de pé em pé fazia a bola chegar ao gol adversário. Hungria, Suécia, Alemanha, Inglaterra, entre outros, deixavam os brasileiros para trás pela categoria do toque, do simples domínio de bola mesmo sem maiores habilidades ou jogadas espetaculares.
A salvação estava por vir, porém, com o futebol arte, cheio de surpresas introduzidas por um rei de 17 anos, com toques e trocas de passes relâmpagos, além de enigmáticas brincadeiras de um Garrincha aparentemente previsível, porém, surpreendentemente desconsertante. A fórmula brasileira na Copa da Suécia de 1958, além de superar os donos da casa, trouxe a certeza de que o futebol arte superava a lógica simples do toque de pé em pé, que nem sempre garantia chegar ao objetivo do gol. A seleção brasileira, naquele ano, convenceu o mundo com o futebol arte, apoiada em muitos talentos e maestria de um meio campista como Didi.
Valeria hoje perguntar se as comissões técnicas da seleção brasileira, naquela época, considerando também a da Copa de 62, teveram papel preponderante no desafio de superar a hegemonia européia? As respostas podem ser polêmicas e carregadas de interesses condicionados a depender de quem comente. Mas uma coisa é certa: afora o poder econômico do Barcelona, a força e o resultado da estratégia que o faz vencer nos últimos anos, certamente tem o seu antídoto. Em outras palavras, há como neutralizar o seu poder de fogo e inverter a situação. Mas isso custa muito dinheiro, e tempo, dirão alguns. E eu talvez não tenha os argumentos para negar essa evidência.
E, diante da dificuldade nessa resposta, vou apelar apenas para um detalhe que se viu no jogo de hoje, e que se vê em campo em quase todos os jogos do Barcelona: os jogadores atuam com muita confiança, isso fica claro, com preparo físico, criatividade e senso coletivo. Tudo isso é fundamental, mas podemos observar ainda mais fundo e dizer que os jogadores jogam com aquela vontade de quem disputa um baba (na Bahia), ou uma pelada (no Rio de Janeiro), onde não se pode perder, onde o coração vai para a ponta da chuteira. Em campo, nesse domingo, vimos mais uma vez um Messi que se entrega como um menino apaixonado e, jamais, como um milionário do mundo do esporte, coisa que ele demonstra esquecer por completo enquanto joga. Da mesma forma atua o Daniel Alves e todo o elenco, sinais evidentes de que o trabalho dentro do clube vai muito além de questões técnicas e físicas.
Tudo isso é somado a um esquema tático que é seguido a risca, com posse da bola garantida por treinamentos rigorosos e seleção de um grupo de primeira linha. Mas a alma do futebol não se resume em posse de bola, que, como disse antes, para ela deve existir antídoto. E um desses antídotos seria a improvável imitação, pelo time adversário, da prática da posse de bola. O Murici, sabendo que seria mesmo impossível imitar essa forma de jogar, consciente de que não poderia igualar-se na super-posse-de-bola justamente porque não foi o que treinou ao longo do ano, convenceu a si mesmo e ao grupo que poderia vencer a partida se utilizando das jogadas talentosas, a exemplo do que vimos no primeiro jogo entre Flamengo e Santos no brasileirão desse ano. Uma diferença, no entanto, pegou Murici e os meninos do Santos com as calças na mão: do outro lado, um Barcelona formado por um grupo com adjetivos que os fazem humildes trabalhadores a serviço do futebol. Fica evidente, no jogo, que os milionários jogadores do Barcelona atuam 99 por cento em cima da vontade e do amor que têm pelo futebol.
Ah! Antes que esqueça: em campo, no Barcelona, estavam 9 jogadores que emergiram da base do próprio clube.
Enquanto isso, nós aqui, torcedores do Bahia, estamos aguardando os dirigentes tricolores dispensarem o nosso maior talento que emergiu da base, Ávine, vendido por algumas merrecas de euros, com a promessa de investimentos em craques dispensados e desencaixados de outros clubes.
Diante dessas estratégias, ou diante da falta de boas estratégias, vamos ver aonde chegamos Bahiacelona !
Saudações Tricolores.
18/12/2011
É tudo muito simples, como vimos no jogo contra o Santos na final do mundial de clubes nesse domingo no Japão: basta tocar a bola.
Pois é, simples assim, com toque de bola que garante o domínio do jogo por todo o tempo. Sem a bola, como é que o adversário vai conseguir jogar? Ao mesmo tempo, contrariando essa lógica do "é simples, basta tocar a bola com precisão", depois do jogo entre Santos e Barcelona ouvi alguns amigos dizendo que "não é bem assim não, isso demanda muito investimento, muito treinamento e muitos anos para se chegar na condição técnica que o Barcelona está hoje". E eu, simples assim, como um ignorante desse mundo do futebol que parece se reinventar, insisti em analisar que, antes do Brasil ser campeão em Copa do Mundo, coisas do meu tempo de menino, os Brasileiros assistiam, ou ouviam pelo rádio, a maestria do futebol europeu, que de pé em pé fazia a bola chegar ao gol adversário. Hungria, Suécia, Alemanha, Inglaterra, entre outros, deixavam os brasileiros para trás pela categoria do toque, do simples domínio de bola mesmo sem maiores habilidades ou jogadas espetaculares.
A salvação estava por vir, porém, com o futebol arte, cheio de surpresas introduzidas por um rei de 17 anos, com toques e trocas de passes relâmpagos, além de enigmáticas brincadeiras de um Garrincha aparentemente previsível, porém, surpreendentemente desconsertante. A fórmula brasileira na Copa da Suécia de 1958, além de superar os donos da casa, trouxe a certeza de que o futebol arte superava a lógica simples do toque de pé em pé, que nem sempre garantia chegar ao objetivo do gol. A seleção brasileira, naquele ano, convenceu o mundo com o futebol arte, apoiada em muitos talentos e maestria de um meio campista como Didi.
Valeria hoje perguntar se as comissões técnicas da seleção brasileira, naquela época, considerando também a da Copa de 62, teveram papel preponderante no desafio de superar a hegemonia européia? As respostas podem ser polêmicas e carregadas de interesses condicionados a depender de quem comente. Mas uma coisa é certa: afora o poder econômico do Barcelona, a força e o resultado da estratégia que o faz vencer nos últimos anos, certamente tem o seu antídoto. Em outras palavras, há como neutralizar o seu poder de fogo e inverter a situação. Mas isso custa muito dinheiro, e tempo, dirão alguns. E eu talvez não tenha os argumentos para negar essa evidência.
E, diante da dificuldade nessa resposta, vou apelar apenas para um detalhe que se viu no jogo de hoje, e que se vê em campo em quase todos os jogos do Barcelona: os jogadores atuam com muita confiança, isso fica claro, com preparo físico, criatividade e senso coletivo. Tudo isso é fundamental, mas podemos observar ainda mais fundo e dizer que os jogadores jogam com aquela vontade de quem disputa um baba (na Bahia), ou uma pelada (no Rio de Janeiro), onde não se pode perder, onde o coração vai para a ponta da chuteira. Em campo, nesse domingo, vimos mais uma vez um Messi que se entrega como um menino apaixonado e, jamais, como um milionário do mundo do esporte, coisa que ele demonstra esquecer por completo enquanto joga. Da mesma forma atua o Daniel Alves e todo o elenco, sinais evidentes de que o trabalho dentro do clube vai muito além de questões técnicas e físicas.
Tudo isso é somado a um esquema tático que é seguido a risca, com posse da bola garantida por treinamentos rigorosos e seleção de um grupo de primeira linha. Mas a alma do futebol não se resume em posse de bola, que, como disse antes, para ela deve existir antídoto. E um desses antídotos seria a improvável imitação, pelo time adversário, da prática da posse de bola. O Murici, sabendo que seria mesmo impossível imitar essa forma de jogar, consciente de que não poderia igualar-se na super-posse-de-bola justamente porque não foi o que treinou ao longo do ano, convenceu a si mesmo e ao grupo que poderia vencer a partida se utilizando das jogadas talentosas, a exemplo do que vimos no primeiro jogo entre Flamengo e Santos no brasileirão desse ano. Uma diferença, no entanto, pegou Murici e os meninos do Santos com as calças na mão: do outro lado, um Barcelona formado por um grupo com adjetivos que os fazem humildes trabalhadores a serviço do futebol. Fica evidente, no jogo, que os milionários jogadores do Barcelona atuam 99 por cento em cima da vontade e do amor que têm pelo futebol.
Ah! Antes que esqueça: em campo, no Barcelona, estavam 9 jogadores que emergiram da base do próprio clube.
Enquanto isso, nós aqui, torcedores do Bahia, estamos aguardando os dirigentes tricolores dispensarem o nosso maior talento que emergiu da base, Ávine, vendido por algumas merrecas de euros, com a promessa de investimentos em craques dispensados e desencaixados de outros clubes.
Diante dessas estratégias, ou diante da falta de boas estratégias, vamos ver aonde chegamos Bahiacelona !
Saudações Tricolores.
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