Enquanto os torcedores têm Papai Joel, os funcionários ficam sem Papai Noel

O bicho pegou! Ou, melhor dizendo, o Bahia não pagou o bicho.


A notícia nos pega de surpresa. Provavelmente pega também a grande maioria dos torcedores e da imprensa, afinal, falava-se que o Bahia havia arrumado o cofre e,  ainda mais, teria a chave bem guardada, o que quer dizer que faria o uso controlado, responsável e cuidadoso dos recursos. Será que não?


Tratando-se de um clube que ficou em segundo lugar no ranking de torcedores presentes no seu mando de campo no Brasileirão e, somado a isso, o crescente reconhecimento nacional ao valor do Bahia, com torcedores que se organizam em outras regiões do país, além dos novos contratos de publicidade, valores antecipados por contrato de transmissões de TV e novos patrocinadores, há de se perguntar: "o que, de fato, está acontecendo?".


No momento em que se discute o desejo dos torcedores pela manutenção de jogadores que evoluíram da base, notícia como falta de pagamento de salário de funcionários e dívida sobre prêmio devido a jogador pelo acesso em 2010 surpreende e deixa o torcedor ainda mais confuso. Uma certeza, porém, se evidencia: a venda de jogadores como Ávine tem motivação também dentro do Bahia, contrariando o que pensávamos, pois a coisa, diante do que se mostra, vai muito além de interesse mercadológico do empresário do atleta. A cuia parece estar novamente na mão, dessa vez para pagar pendências salariais de novembro e também do mês de maior expectativa dos trabalhadores e, enquanto os torcedores estão com Papai Joel, os funcionários do Bahia passam o Natal sem Papai Noel.


Ê Bahia! Como consegue surpreender os seus torcedores, mesmo quando demonstra ter as ferramentas para abrir caminhos para um crescimento que se apresenta tão possível, tão real para um clube que além da tradição conta com uma torcida apaixonada que se amplia pelo Brasil, que atrai empresas como a Nike e gera interesse cada vez maior na mídia esportiva. Sem querer ser do contra, no fundo gostaríamos sempre de vibrar por notícias grandiosas tricolores, tais como, por exemplo, ouvir da diretoria um #FicaÁvine recheado de alegria e confiança em lhe oferecer um título tricolor, com esperança ainda de ver o Bahia unir ídolos do acesso de 2010, como Moraes, aos ídolos de 2011 como Souza, Marcelo Lomba e Fahel.


Diante das expectativas de ver o Bahia reacender de vez o status de campeão, a começar pelo Campeonato Baiano, obrigatório e com todas as honras em 2012, a transparência nas finanças e de toda a gestão do clube fariam a base para o início de um novo tempo dolorosamente aguardado pelo torcedor mais exigente. Pelo que se vê repetir, no entanto, o Bahia insiste em não ouvir o clamor ruidoso de alas da oposição, do lado sério da Imprensa ou de simples cidadãos que se entregam apaixonadamente na paixão pelo clube. Seguidas histórias, seguidas repetições: o mesmo "cinto" que aperta na hora de contratar bons jogadores e que, quando folga, geralmente desacompanhado de um bom relatório financeiro, relaxa a ponto de perder o controle e expor a verdadeira "flacidez" do clube.

Muito mais do que vender, valorizar

Por Carlos Lopes - colaborador
Em 23/12/2011


Felizmente passei daquela fase em que me zangava com opiniões que batiam sempre no mesmo ponto, nunca se convencendo do contrário. Situação assim está no dia-a-dia, na nossa rotina em geral e, na Imprensa, quando colunistas refletem, mudam as palavras, trazem novos pensamentos, mas as conclusões são mantidas. E alguns podem até dizer que nós é que somos insistentes no tema #FicaÁvine, mas, temos certeza, a postura por aqui é muito mais de reflexão do que emoção ou necessidade de convencer o outro sobre o nosso ponto de vista.

Nos tranquiliza saber que há uma corrente crítica de bons jornalistas que colocam em evidência essa polêmica que os torcedores, ao que nos parece, estão preferindo assistir de camarote, sem muita manifestação. Críticas à parte, gostaríamos de ver a torcida um pouco mais inflamada com possível saída de Ávine, nosso heroico guerreiro que veio da base, viu o Bahia descer até onde parecia que não teria nem mesmo uma corda para segurar. E a água parecia nos cobrir no fundo do poço. E quem estava lá para dar sangue na briga para sair da série-c? A resposta, todos sabem, o garoto Ávine, num clube quase sem chão, sem bola, sem chuteiras.

E como se não bastasse essa falta de estrutura, que abalou dirigentes, comissão técnica e jogadores na ocasião mais crítica, Ávine ainda teve de conviver com a intolerância dos torcedores, que não encontravam paciência para suportar erros em campo. Ele não media esforços nas disputas, jamais se escondia, lutou e se expôs a ponto de parecer estabanado e irresponsável e, diante da grande dedicação para resolver e tirar leite das pedras no meio da crise, já demostrava potencial para ser ídolo, mas muitos o viam como vilão. Nós presenciamos tudo isso na série-c, em 2 anos de agonia que se findou num domingo certamente dos mais tensos e eufóricos da história dos torcedores do Bahia, com apreensão e desfecho recheado com mais um gol miraculoso no apagar das luzes, ainda somado a um zero a zero na partida que acontecia no norte do país, já que o Bahia não dependia apenas de si mesmo para passar para a fase final daquele campeonato. O Bahia passou, e subiu.


Ávine viveu tudo isso, dentro de campo, como ator e personagem de uma saga que parecia não ter fim. Passado esse drama, por mais 2 anos ainda lutou para erguer o Bahia na série-B. Da ascensão, com retorno à elite do futebol brasileiro em 2010, nem precisamos falar, pois as lembranças recentes não deixam dúvida do destaque e da importância de Ávine no elenco. Por tudo isso, compatriotas tricolores, podemos exigir apenas que todos se unam em torno da causa maior: valorizar Ávine, no Bahia, é questão de honra e respeito a ele.


Do outro lado, observamos, se anuncia uma suposta elevação do jogador a um clube que lhe ofereceria maior estrutura e visibilidade para crescer, ir à Seleção Brasileira, entre outras conquistas. Ledo engano, lamentamos informar. Qual é mesmo a grande diferença de padrão e de resultados quando se compara Bahia e Atlético? Aliado a isso, quem navegar um pouquinho no twitter vai notar referências a deficiências do Atlético-MG, que até o momento não bateu o martelo sobre a contratação do #Ávine simplesmente porque não achou patrocinador. Situação parecida, meus amigos, poderia estar acontecendo com o Bahia, buscando patrocínio e apoio para jogadores supostamente à altura do Ávine. Busca incerta, evidentemente. Ávine, meus caros, ao contrário, é certeza. Valorizá-lo, meus prezados, é nossa obrigação.


Sem envolvimento com as questões políticas, já que não somos ligados a nenhum grupo e conhecemos os atores apenas pela mídia, desafiamos os torcedores que comemoraram e vibraram, que rasgaram elogios na rede ao @marceloguima, a exemplo da chuva de emoção após o jogo contra o São Paulo em Pituaçu: não acham que é hora de replicarem as boas reflexões que circulam na rede relacionadas a #ValorizarÁvine? Que reflitam todos sobre o tema e sobre as boas publicações que estão circulando na rede, inclusive aquelas dos meios oficiais (Imprensa constituída). Os dirigentes vão ter mais chance de ler e, certamente, vão poder refletir sobre o que de fato é melhor para o Bahia e para Ávine em 2012, com futuros brilhantes para ambos, após merecidas conquistas e gloriosos resultados que estão por vir. O que vai acontecer depois será, certamente, muito maior do que o que se promete nesse momento.



 

Mais sobre Ávine


A possibilidade de saída de Ávine pode ser polêmica, gerar controvérsias sutis ou até discussões ferrenhas. Vale, no entanto, respeitar as visões de todos, inclusive daqueles que possivelmente observem apenas um lado da situação, com avaliações de cunho mercadológico e momentâneas. Devemos ficar atentos, também os jornalistas, e todos os que estão na posição de formadores de opinião. Uma coisa também é certa, está em jogo um mundo de interesses financeiros que atropelam os clubes e que, em muitos casos, também os próprios atletas.

O que desejamos é que o Bahia ofereça a Ávine, mais do que a sua "carta de euforria", o seu acesso ao "trono". Aqui estão dois símbolos: a "carta de euforria", numa alusão ao Bahia ser um lugar para sofrer, não para crescer. Já o "trono" seria a condição de volorização dentro do clube e a consiciência de que o Bahia dá, sim, visibilidade a qualquer craque, para brilhar aqui, ou mesmo na Seleção Brasileira, no Barcelona ou em qualquer outro clube que venha a oferecer, em momento oportuno e de maior destaque em um campeonato, pelo verdadeiro valor que o atleta tem.  Ao Bahia e suas "lideranças", caberia, sim, lutar pela diminuição das diferenças regionais que terminam por fragilizar o próprio futebol brasileiro.

Na prática Ávine já poderia ter ido bem mais longe mesmo permanecendo no Bahia. O ano de 2011 teria sido a boa chance, não fossem as contusões e a consequente pouca visibilidade. Com sequência de jogos ele teria brilhado e sua valorização no mercado poderia mudar radicalmente a vida dele e o resultado financeiro para o clube. Liberar Ávine num momento de baixa é um tiro no pé. Interesses empresariais certamente estão pesando, pois os intermediários ganham com a venda de hoje, de amanhã, e de tantas mais que acontecerem ao longo da sua carreira. Já, para nós, apenas um tchau, sem títulos, sem brilho, sem valore$.

Esse nosso artigo, complementar ao que publicamos no meio da manhã, foi motivado pelo comentário do jornalista Flávio Novaes, @flavionovaes70, ocorrido hoje via @aotribahia nas interações com o jornalista Eder Ferrari, @ederferrari82. Da sua mensão ao artigo (clique para ler) do colunista Eduardo Rocha, do Correio da Bahia, o Flávio nos trouxe a inspiração para completarmos o pensamento e sonhar com novos rumos para um brilhante Ávine-Tricolor-Bahia-2012.


Triste fim, Bahia não quer crescer junto com Ávine

Pelos colaboradores Carlos e Arthur Fontes,
21/12/2011



Como circula na rede, estrutura do Atlético-MG e salários em dia atraem Ávine. No mínimo soa estranho anunciar esses motivos, justamente os pontos em que o Bahia se destacou em 2011 foram na melhoria da estrutura e o fato de pagar em dia. É estranho, também, como está escrito na reportagem do Esporte-IG, dia 15, onde se lê, sobre o Atlético - "...sem contar que paga bons salários e paga em dia. Isso faz diferença" -, como se estivesse comparando com supostos problemas que Ávine teria no Bahia.


E a reportagem, se não tendenciosa, no mínimo tem interesse de marketing, e continua: “Enquanto estava jogando pelo Bahia, Ávine fazia um grande Brasileirão e chegou até ser comentado para a seleção brasileira. É um sonho dele e no Atlético-MG isso fica bem mais próximo”, disse o empresário. E o jogo de cartolagem, com aval do Bahia, parece evidente, fica claro no comentário que segue na reportagem, sobre declaração do próprio empresário responsável pela negociação, que considera que o desembolso, pelo Atlético-MG, de R$ 3,6 milhões por 50% dos direitos federativos do jogador, não é pequeno. O valor exato não foi revelado pelo agente do atleta, que apenas limitou-se a dizer que "o valor não é barato".


Para nós do AoTriBahia, que assumimos uma cobrança acima do que é obrigação nessa fase de reestruturação do clube, 2012 é o ano para consolidar o recomeço e se afastar do caminho trôpego que trilhou em 2011, onde o risco de rebaixamento ficou novamente evidente no primeiro e no segundo turno. Entre os clubes que passearam ao lado do Bahia ao longo da série B, todos viram, estavam Corinthians e Vasco, que provaram que o fundo do poço pode trazer aprendizados, mas para isso é preciso que a postura da direção seja forte e tenha o objetivo de projetar o Bahia, de fato, entre os maiores. 


Os discursos em torno da venda de Ávine, aliado a falta de ação para a sua valorização como um projeto tricolor, demonstram isso. A gestão do Bahia coloca o clube numa condição menor quando negocia com outros clubes como se eles fossem de fato maiores, sujeitando-se ao jogo de interesses que impõe a supremacia dos clubes do Sudeste e do Sul. Quer ir para a seleção brasileira, Ávine? Então mude de clube. Essa é a mensagem que está mais do que explícita.


O triste fim parece chegar. Ávine vai murchando no Bahia, sem título, sem a valorização merecida, sem uma gestão que cuide do seu crescimento de forma mais ampliada. Ávine, justamente um lateral, dessa vez um lateral esquerdo, que teria potencial para projetar mais um grande lançamento para o mercado do futebol globalizado, onde Daniel Alves virou uma das estrelas maiores e o Bahia ficou apenas com a fama por ter lançado o jogador. Quem ganhou dinheiro, de verdade, foram outros. A história de Ávine segue parecida. Os resultados poderiam ser bem diferentes, mas, ao que parece, daqui a um ano nos daremos conta do tamanho do escorregão que o Bahia está dando.


Leia aqui a reportagem do esporte-IG e tire as suas conclusões.

E a nossa BASE, fica ou não fica?

Por Carlos Lopes - colaborador
18/12/2011



É tudo muito simples, como vimos no jogo contra o Santos na final do mundial de clubes nesse domingo no Japão: basta tocar a bola.

Pois é, simples assim, com toque de bola que garante o domínio do jogo por todo o tempo. Sem a bola, como é que o adversário vai conseguir jogar? Ao mesmo tempo, contrariando essa lógica do "é simples, basta tocar a bola com precisão", depois do jogo entre Santos e Barcelona ouvi alguns amigos dizendo que "não é bem assim não, isso demanda muito investimento, muito treinamento e muitos anos para se chegar na condição técnica que o Barcelona está hoje". E eu, simples assim, como um ignorante desse mundo do futebol que parece se reinventar, insisti em analisar que, antes do Brasil ser campeão em Copa do Mundo, coisas do meu tempo de menino, os Brasileiros assistiam, ou ouviam pelo rádio, a maestria do futebol europeu, que de pé em pé fazia a bola chegar ao gol adversário. Hungria, Suécia, Alemanha, Inglaterra, entre outros, deixavam os brasileiros para trás pela categoria do toque, do simples domínio de bola mesmo sem maiores habilidades ou jogadas espetaculares.

A salvação estava por vir, porém, com o futebol arte, cheio de surpresas introduzidas por um rei de 17 anos, com toques e trocas de passes relâmpagos, além de enigmáticas brincadeiras de um Garrincha aparentemente previsível, porém, surpreendentemente desconsertante. A fórmula brasileira na Copa da Suécia de 1958, além de superar os donos da casa, trouxe a certeza de que o futebol arte superava a lógica simples do toque de pé em pé, que nem sempre garantia chegar ao objetivo do gol. A seleção brasileira, naquele ano, convenceu o mundo com o futebol arte, apoiada em muitos talentos e maestria de um meio campista como Didi.

Valeria hoje perguntar se as comissões técnicas da seleção brasileira, naquela época, considerando também a da Copa de 62, teveram papel preponderante no desafio de superar a hegemonia européia? As respostas podem ser polêmicas e carregadas de interesses condicionados a depender de quem comente. Mas uma coisa é certa: afora o poder econômico do Barcelona, a força e o resultado da estratégia que o faz vencer nos últimos anos, certamente tem o seu antídoto. Em outras palavras, há como neutralizar o seu poder de fogo e inverter a situação. Mas isso custa muito dinheiro, e tempo, dirão alguns. E eu talvez não tenha os argumentos para negar  essa evidência.

E, diante da dificuldade nessa resposta, vou apelar apenas para um detalhe que se viu no jogo de hoje, e que se vê em campo em quase todos os jogos do Barcelona: os jogadores atuam com muita confiança, isso fica claro, com preparo físico, criatividade e senso coletivo. Tudo isso é fundamental, mas podemos observar ainda mais fundo e dizer que os jogadores jogam com aquela vontade de quem disputa um baba (na Bahia), ou uma pelada (no Rio de Janeiro), onde não se pode perder, onde o coração vai para a ponta da chuteira. Em campo, nesse domingo, vimos mais uma vez um Messi que se entrega como um menino apaixonado e, jamais, como um milionário do mundo do esporte, coisa que ele demonstra esquecer por completo enquanto joga. Da mesma forma atua o Daniel Alves e todo o elenco, sinais evidentes de que o trabalho dentro do clube vai muito além de questões técnicas e físicas. 


Tudo isso é somado a um esquema tático que é seguido a risca, com posse da bola garantida por treinamentos rigorosos e seleção de um grupo de primeira linha. Mas a alma do futebol não se resume em posse de bola, que, como disse antes, para ela deve existir antídoto. E um desses antídotos seria a improvável imitação, pelo time adversário, da prática da posse de bola. O Murici, sabendo que seria mesmo impossível imitar essa forma de jogar, consciente de que não poderia igualar-se na super-posse-de-bola justamente porque não foi o que treinou ao longo do ano, convenceu a si mesmo e ao grupo que poderia vencer a partida se utilizando das jogadas talentosas, a exemplo do que vimos no primeiro jogo entre Flamengo e Santos no brasileirão desse ano. Uma diferença, no entanto, pegou Murici e os meninos do Santos com as calças na mão: do outro lado, um Barcelona formado por um grupo com adjetivos que os fazem humildes trabalhadores a serviço do futebol. Fica evidente, no jogo, que os milionários jogadores do Barcelona atuam 99 por cento em cima da vontade e do amor que têm pelo futebol.

Ah! Antes que esqueça: em campo, no Barcelona, estavam 9 jogadores que emergiram da base do próprio clube.

Enquanto isso, nós aqui, torcedores do Bahia, estamos aguardando os dirigentes tricolores dispensarem o nosso maior talento que emergiu da base, Ávine, vendido por algumas merrecas de euros, com a promessa de investimentos em craques dispensados e desencaixados de outros clubes.

Diante dessas estratégias, ou diante da falta de boas estratégias, vamos ver aonde chegamos Bahiacelona !


Saudações Tricolores.