#DeixaOsMeninosJogarem e #FalcãoNoComando


Publicado em
26/02/2012

Ajudando o torcedor a ter paciência. #DeixaOsMeninosJogarem ... sem vaias em Pituaçu

E, sem defender esse-ou-aquele-jogador, vale acreditar no elenco, principalmente naqueles que se dedicam de corpo e alma.

  Leia também: Clique

Jones da Silva Lopes - A bola da vez

publicado em 
24/02/2012

Douglas, Bobô, Charles, Ronaldo Passos, entre tantos outros ex atletas tricolores em diferentes tempos, o que eles têm em comum? Antes da resposta,  bom também dar uma passadinha pelos tempos atuais e ver a história de Ávine, Dodô, Maranhão e Gabriel, sem esquecer de outros não citados. No meio de nomes talentosos, sabemos, também muita controvérsia, já que no mundo do futebol a paixão fala muito mais forte do que a razão, onde as arquibancadas estão repletas de "técnicos" dedicados e exigentes. 

Em torno do atleta de hoje existem cada vez mais empresários, patrocinadores, publicidade e mídias, onde, como diria uma personagem de novela da tv, cada gol, ou cada não gol (que o diga o Deivid do Flamengo), é um flash.

Citados Ávine e Dodô, ambos na lateral esquerda do Bahia, dois exemplos de origens diferentes, o primeiro, da base e mesmo com apenas 24 anos já tem cerca de 10 anos no clube. Ao contrário, Dodô veio emprestado em 2011 e foi afastado por contusão grave, mas não sem antes ganhar a confiança e unanimidade dentro do estádio de Pituaçu. Esses dois laterais, no entanto, passaram antes pela ira e pelas vaias do torcedor mais impaciente e intolerante a erros ou, simplesmente, intolerantes ao tempo de maturação de cada jogador. Ávine teve sofrimento mais longo, aguerrido em momentos históricos de tristeza tricolor na terceira e na segunda divisão, quando ele estava presente e, ao contrário de muitos torcedores, Ávine foi tolerante às vaias e cobranças duras, seguro da necessidade da sua entrega total no objetivo de jogar o seu melhor futebol. O jovem Ávine cresceu no Bahia e é um atleta seguramente consagrado pelos torcedores há pelo menos 2 anos. As suas contusões ao longo de 2011 deram espaço para o jovem Dodô passar pelo mesmo drama das cobranças no caldeirão azul vermelho e branco. O resultado, esperado ou surpreendente, foi a consagração de mais um lateral esquerdo que virou xodó no final do último Campeonato Brasileiro. As diferentes histórias de Ávine e Dodô desafiam o torcedor sobre a necessidade de tolerância e paciência com os seus jovens atletas.

Em paralelo a essa condição estão aqueles que comentam sobre o desempenho dos atletas e, se ao final de cada jogo de futebol tivéssemos que escolher os piores comentários das rádios e tvs, para não dizer "escolher os piores comentaristas", ou, amenizando mais "escolher os comentaristas que foram menos felizes no uso das suas respectivas palavras", provavelmente não teríamos uma lista pequena de candidatos. Aos formadores de opinião, sabemos, cabe informar para formar, ou seria melhor dizer "formar para informar"? Nessa última fica implícita a necessidade de formar (analisar) o seu próprio juízo de valor antes de levar a sua voz e crítica ao microfone e a todos os meios de publicação em massa. Mas tudo é dinâmico e rápido o suficiente para favorecer os atropelos. Assim como no parágrafo anterior, muitos talentosos serão queimados vivos e outros já estão sendo constantemente sufocados e sem chance de melhorar o seu percurso dentro do clube em que atuam. Claro, afinal, atletas vivem de emoção, que é um sentimento fundamental para o equilíbrio e a confiança naquilo que fazem. A razão nos leva a pensar, raciocinar demais, isso é bom, claro, mas é algo para ser feito fora do campo. Dentro das 4 linhas, como dizem os maiores craques e entre eles o rei de todos os tempos: se pensar, não faz. Emoção, explosão e confiança, tudo integrado. De onde vem então essa energia, essa confiança? Se estiver jogando em casa, não temos dúvida, a maior confiança vem da massa que apoia, que vibra, que acredita no seu atleta. Ao jogar no território adversário a crença segue em cada jogador, na trilogia que soma emoção, explosão e confiança com resultados maiores do que qualquer raciocínio previamente elaborado. O atleta leva a força da sua nação para outras terras. Em sua bagagem leva uma montanha de emoções.

Dodô Pires se emocionou ao final da temporada 2011, infelizmente interrompida antes do que se esperava. Ao levar a solapada que o tirou dos gramados por nada menos que 6 meses, Dodô viveu como nunca o reconhecimento da nação tricolor, mas levou também a lembrança de dias tristes em que tinha como maior adversário o próprio torcedor do Bahia. Foram 3 a 4 meses de instabilidade e sem nenhum reconhecimento até que ele pudesse superar a onda de absoluta desconfiança. A nação é também cruel e, na maioria das vezes, tira dos jovens a condição emocional para mostrar o seu talento. Em 2011 até mesmo o experiente Souza passou por maus bocados, a ponto dos dirigentes precisarem sair em sua defesa e alertar os torcedores sobre o histórico do jogador, com resultados relevantes em grandes clubes.

Diretorias, gestores de futebol e técnicos erram, sabemos disso. Insistir no erro e encarar a ira do torcedor quando acreditam em jovens talentos é, no entanto, uma causa nobre. Torcedores e profissionais da imprensa precisam ser responsáveis, mesmo sem deixar de fazer as críticas. Voltando ao ponto inicial dessa prosa: sejam os históricos craques Douglas, Bobô, Charles e Ronaldo Passos ou o brasileiríssimo Jones da Silva Lopes, o que afinal eles têm em comum? A resposta é simples: a dificuldade em superar a desconfiança do torcedor a qualquer sinal de erro ou de jogada improdutiva. 


Passada a turbulência do ano de 2011, quando a era Jobson levou a torcida do extase, da reverência ao craque ao aplauso à diretoria pela sua dispensa, vivenciamos também as sapecadas em Souza, Robert (esse, então, só tropeços), além de outros. Mas restou ao Jones o maior teste de tolerância, no centro do alvo para ser apedrejado mesmo diante da sua aprovação por todos os técnicos que passam pelo Bahia. Se falta uma explicação da diretoria do clube para a sua permanência, falta também ao torcedor e à imprensa a percepção de que ninguém consegue nadar bem contra a correnteza. O Bahia goleou o Fluminense de Feira nessa quinta-feira em Pituaçu e, mesmo assim, entenderam como necessário apontar o pior jogador do Bahia em campo. Na ausência de um atleta que tenha desequilibrado o grupo, os donos da voz na rádio soltaram o bordão no Jones. Na visão do Falcão o Jones cumpriu bem o desafio. Nos 30 minutos finais em que atuou, ainda que não tenha participado em muitas jogadas, com ele em campo o grupo fez mais 3 gols.

Comparações à parte, Jones pode estar longe de ser o craque sonhado pelo torcedor, assim como não era também o Ávine de 4 ou 5 anos atrás. O próprio Dodô seria, 3 meses antes do seu auge tricolor, detonado num suposto paredão ao estilo bigbrother caso fosse dado aos torcedores o direito de eliminação do craque.


Em comum, então, entre atletas jovens, medianos ou com mais de 30, craques ou não, é a constatação de que a linha divisória entre o erro e o acerto, entre cair na graça ou na desconfiança do torcedor, é muito tênue. Charles, antes de ser campeão pelo Bahia em 88, caminhava para desistir da carreira, desanimado com o seu desempenho e reconhecimento. Superou, venceu e passou com méritos pela Seleção Brasileira. Se os exemplos parecem esquecidos vale alertar que desconfiar dos talentos dos atletas e fazer a crítica construtiva é uma atitude profissional. Respeitar os jovens, seus potenciais e direitos de errar e acertar, é obrigação de todos.



Comente, torcedor!

Confiança na história, no craque, no técnico

Paulo Roberto Falcão: competência, disciplina, rapidez no raciocínio e espírito de equipe. Por onde passou, um show de futebol. Craque com enorme talento mostrado ao longo de toda a carreira. Não bastassem os atributos técnicos, o valor humano exemplar que sempre deixou evidente no Brasil e no mundo. Acreditamos que o Falcão-técnico oferecerá ao Bahia a mesma intensidade e dedicação que sempre colocou em campo. E o retorno às gloriosas conquistas tricolores será, tão somente, consequência. Paciência e confiança, companheiros torcedores. Pra resumir, apreciem as imagens onde cada movimento vale por mil palavras.



panis et circenses! Que é isso, presida?

Diante do histórico dos últimos anos, série-c, fundo do poço e o povo na rua em busca do resgate da dignidade, observamos um Bahia que parece depender de salvadores da pátria. Esses, no entanto, chefes de ocasião, vão no mesmo modelo, mesmo que a fachada seja moderna, já que a estrutura viciada se mantém. 


No percurso mais recente, com 2011 na série-A e momentos eventuais de brilho, como no jogo de superação diante do São Paulo em Pituaçu, o torcedor aproveitou para rasgar seda. Coisa natural para uma parte da torcida, eufórica com nas interações via twitter e rede em geral, onde tudo parece trazer mais democracia e escuta ao clamor popular. Nesse ambiente e contexto, o presida aproveita para interagir, se auto-destacar e fazer a festa junto com a galera.


As aparências, no entanto, infelizmente, enganam. Na prática, o uso da massa, ou uso da boa fé da massa, que no momento da festa sempre se contenta com o panis et circenses. Pão e circo, receita simples para iludir o povo. A origem dessa reflexão sobre o "panis et circenses" está no século I, nas sátiras romanas de Juvenal e, seja na vida cotidiana, na política do país, do estado ou em qualquer cidade, segue impregnada nas relações de poder estabelecidas por governantes e legisladores. E como tudo está interligado, claro, a prática se estende para tudo que atende ao clamor popular, principalmente nas ações que envolvem muito dinheiro, decisões e emoções. Em outras palavras, panis et circenses tem prato cheio no mundo do futebol.


E não é que no meio da turbulência veio o circo, que teve momento auge há 2 dias, na confirmação da saída do Joel que afirma não ver o Bahia como sardinha mas fugiu animado para um clube tubarão tão logo derrubaram o talentoso, também auto-pomposo, Luxemburgo? Que bom para os dirigentes, né? O lançamento de camisas Nike e promessas de participação do torcedor, com direito a escolher o modelo do vestuário a ser lançado em 2012. Um belo circo para disfarçar o impacto e amenizar as pisadas estilosas (*1) na cabeça do torcedor. Estilosa, será mesmo? Será esse o projeto de democratização do clube, fazer o torcedor se contentar em apenas escolher leiaute de padrão do vestuário?


Pois é, interpretamos como estilosa. Coerente interpretar assim, já que convence uma parte de muitos que são dedicados torcedores tricolores. É claro que o momento é de comemorar também a chegada da Nike, mas, na contramão do sentimento da nação sobre a saída do Joel Santana, o presidente enaltece o profissional e afirma que ele saiu, mas as portas ficam abertas. O presidente aposta no circo, né? Só pode! Afinal, ele é inteligente o suficiente para saber o tamanho da bobagem que diz ao elogiar um técnico que abandonou o barco dessa forma. Recorde no twitter, a hashtag #JoelSardinha bombou nos protestos dessa sexta-feira. O digno, de verdade, seria o presidente aparecer no twitter, como é prática, e utilizá-lo como tribuna, no entanto, para apresentar justificativas sinceras sobre os bastidores: Joel voltaria para a casa de quem? Seria a casa do Marcelinho, ou do Marcelão? Afinal, na cabeça do torcedor, a casa do Esporte Clube Bahia pertence, apenas, aos torcedores. Teoricamente, cabe a eles, os torcedores, no mínimo, o direito de serem ouvidos e respeitados nesse momento de angustia e de indignação pelo modo que se deu o desfecho da relação entre Bahia e #JoelSardinha.


(*1) estilosa - já que atinge negativamente o torcedor, sem que ele perceba

Eu não sou cachorro não!

Publicado em 02/02/2012
Waldick Soriano 

Eu não sou cachorro não, dizia Waldick Soriano, compositor e cantor romântico de renome e destaque nacional. A música comunicava com recado simples e direto para a mulher amada, que jamais deve tratar o seu companheiro como cachorro. Alguns, supostamente de certas elites culturais, zombavam do artista, que, de brega a chique, quisessem ou não, marcava presença na vida dos brasileiros.


O Waldick passou, mas, e a sua música dele, tem algo a dizer a nós?


Pompas, destaques, ... compromisso?


Tem sim, para nós, torcedores tricolores, que em 2011 vimos o Bahia ser tratado como peixe miúdo e, meses depois, depositamos nossas esperanças no Joel Santana, seria natural esperar que a sua postura fosse de maior compromisso e continuidade no trabalho. O Joel do anzol, "esperando peixe graúdo, sardinha não", deve estar sorrindo ao imaginar que fisgou um peixe graúdo chamado Flamengo. Mas, ao mesmo tempo, pode ter sido ele o fisgado: pela força da grana que ergue e destrói coisas belas. Se a grana vai ser mesmo maior, no entanto, vai depender do seu sucesso no clube que é cercado pela maior estrutura de mídia no país.


Acostumados, que somos, em ver esse movimento de passagem de "ilustres" técnicos com "maiores saberes" pelo "nosso" Fazendão, mesmo assim, ainda nos surpreendemos. E, mesmo que ouçamos a diretoria, pela voz do seu presidente, se alegrar por momentos tidos como dos mais gloriosos ao devolver a série-A após mais de 7 anos e destacar, na visão dele, como maior referência nessa conquista, a passagem de Renato Gaúcho, justamente o técnico que tinha como prática, após cada jogo, despachar a culpa nos seus soldados, que, segundo o próprio RG, nunca colocavam em prática, dentro do campo, as suas "preciosas" instruções.
Márcio Araújo, a missão...


No início do Brasileirão de 2010 Renato Gaúcho se foi, para a nossa felicidade. No rastro da sua saída veio a tentativa de afastar o jogador Jael, ídolo da época, dos seus torcedores. A missão real de subir a ladeira ficou nas mãos do Márcio Araújo, que vestiu a camisa tricolor sem jamais desonrá-la. Mas, voltando às surpresas anunciadas, o Joel, que ao chegar teve que rodopiar nas palavras para tentar justificar o Bahia que não é sardinha, foi embora por vontade própria, sem conquistar título e sem arriscar perdê-lo. Saiu pela via do descompromisso e em busca de maior visibilidade na mídia. Para completar, Joel Santana também pode deixar rastros e prejudicar a estrutura do Bahia: Paulo Angione pode ir para o Flamengo. 






Alguns comentarão que tudo isso faz parte do mundo do futebol e poderemos nos esforçar para compreender. E, mesmo que muitos argumentos não levem ao convencimento, "rei morto, rei posto". Resta-nos esperar que a diretoria mantenha a casa arrumada e, principalmente, os atletas focados no trabalho. Que venha o próximo e, por enquanto, que o interino Eduardo Souza faça o espetáculo acontecer. Espetáculo simples e belo que é o futebol, porém, eles esquecem disso na medida em que intere$$e$ maiore$ prevalecem.