Remédio exagerado, ou Veneno na dose certa?

Publicado em 03/02/2014
Por Carlitos Lopes

Remédio x Veneno
Qual a diferença entre eles?
Se o veneno da cobra é utilizado para salvar a vida de quem tenha sido picado, há de se pensar: o remédio, na verdade, pode ser apenas a dose certa do próprio veneno.
Ou, por outro ponto de vista: o veneno é a dose errada do remédio.
No futebol, como em qualquer outro esporte, teoricamente os atletas se preparam buscando fazer o melhor. Na prática isso se confirma em todas as instituições organizadas. No meio da desorganização não dá para avaliar a condição de cada atleta, pois os problemas extra campo serão dominantes. Mas, afinal, para não desviar, onde estão o tal veneno e o remédio anunciados acima?
A resposta é complexa, mas, igualmente ao paradoxo do "veneno-remédio", o complexo (ou complicado) é irmão da simplicidade. Isso porque todo problema, por maior que seja, pode ser facilmente resolvido quando se encontra a solução certa.

Com todo esse preâmbulo vamos ao simples: onde está o remédio que cura e o veneno que adormece o Bahia?

A pergunta sugere uma análise histórica, mas não vamos voltar muito no tempo. Os fatos mais recentes, da série C até o momento atual são mais do que suficientes para justificar um possível paradigma que sustente a ideia de que a simplicidade e a paciência seriam as armas para o novo Bahia deslanchar de vez no cenário do futebol atual. Podemos enumerar, sequencialmente, para facilitar a compreensão:

1. O mesmo grupo que afundou o Bahia para a série-C, usando doses erradas de remédios, fez o clube permanecer no fundo do poço durante a fase mais nebulosa e de sofrimento dos torcedores. Entre tropeços constantes, sem nenhum planejamento e com muito marketing voltado para interesses pessoais, o Bahia viveu os últimos anos nas mãos do filho do maior representante do descompromisso com o Esporte Clube Bahia - o sr. Tiririca, como costumam brincar alguns. O tal filho, mgf, conhecido pela sigla das suas iniciais, apequenou o Bahia com a sua vaidade e com os seus objetivos políticos pessoais, vangloriando-se como suposto responsável pela volta do clube à elite do futebol brasileiro. Os mais lúcidos sabem, e nunca se deixaram enganar, que o retorno à elite do futebol brasileiro foi na verdade fruto da história do próprio clube e da luta aguerrida da sua imensa nação de torcedores. Bem ou mal, foi a fé e a dedicação dos torcedores, com todas as pressões possíveis, que criou condição e trouxe a garra necessária para os atletas que batalharam dentro de campo nos momentos de crises profundas a que os dirigentes irresponsáveis levaram o clube.

2. Permanecer na série-A nos últimos anos é também mérito da força dos torcedores. A expressão das massas reflete a ação dos grupos organizados que sempre questionaram os erros na gestão Esporte Clube Bahia, com sua estrutura fechada em favor da proteção de interesses escusos da ditadura dos Guimarães e seus aliados.

3. "Intervenção - o grande momento do futebol".  A reverência ao programa esportivo que anunciava o "Gol - o grande momento do futebol", na TV BAND, é coerente com o tamanho da maior conquista do clube nas últimas duas décadas: a Democracia. Importante não esquecer que 2013 tem a marca dessa conquista, devolver o Bahia à sua Torcida e, ainda mais, agraciada com a permanência na série-A. A democracia abriu as portas para novas possibilidades. Aliado ao momento de maior abertura vivemos o momento de maior interação com o torcedor, fortalecida também pelas Redes Sociais. A possibilidade de aproveitar adequadamente esse fenômeno, a favor do clube, pode estar no ponto de equilíbrio entre o remédio bem administrado, ou do veneno, ambos na dose certa.

Os 3 fatos, ou os 3 momentos descritos acima nos levam a refletir sobre o tal veneno ou remédio. "Com humildade, todos podem ajudar". Eis uma verdade que precisa ser dita e que funciona dentro e fora das 4 linhas. Dentro delas, aliás, a humildade é fundamental, pois até o maior futebolista de todos os tempos era igualmente líder e operário, submetido às exigências de disciplina e de obediência a uma regra básica: futebol é coletivo. Foi seguindo esse princípio que Pelé se tornou o Rei. Fora das 4 linhas, bem próximo está o torcedor, mesmo quando fora dos estádios. No estádio, então, não somente a voz, mas a crença do torcedor faz a diferença entre a confiança e o medo de cada atleta. E se o Edson que conduz a bola não é o Pelé, estará ainda mais vulnerável ao dilema entre absorver o remédio ou o veneno que vem da plateia.

Ao final de toda essa análise, uma pergunta simples vai nos levar a reconhecer que temos, sim, o poder de transformar a sociedade, ou qualquer instituição que amamos:

O Bahia é da Torcida? Então, que essa Torcida continue cobrando e fazendo a sua parte. É importante também, bom lembrar novamente,  fazer ecoar no coração de cada atleta, especialmente os mais novos, a sensação de confiança, de compromisso e de capacidade de realizar grandes partidas e trazer grandes resultados para o clube. Corrigir o remédio exagerado, ou ajustar a dose do bom veneno, está em nossas mãos.

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