Em 28 de Julho de 2013
Por: Carlitos Lopes - Sócio Patrimonial desde 26/07/2013
O "Bahia de Todos" vive momento especial, inédito no futebol brasileiro, que ao mesmo tempo caracteriza o renascimento do Tricolor de Aço. Mesmo os mais otimistas jamais imaginariam uma manifestação grandiosa como o cadastramento de 10 mil sócios em apenas um dia. E com perspectivas de continuar a expandir rapidamente a chegada de novos e confiantes torcedores, todos dispostos a investir no clube como nunca foi possível nos tempos de domínios de interesses que passavam longe do respeito aos torcedores. Em outras palavras: a gestão que se findou estava longe daqueles que no passado construíram a história do Esporte Clube Bahia. E ao dizer isso (aqueles que no passado construíram o clube) não estamos nos referindo apenas a lideranças, mas, principalmente, aos TORCEDORES. Esses, sim, são os principais responsáveis por fazer do Bahia um clube de força e de grandiosa história.
Evidentemente que os gestores foram sempre de grande importância, mas, até onde o clube cresceria sem o clamor das massas? Uma boa química se estabeleceu desde o surgimento do clube, em 1931, permitindo uma resposta imediata, com título e confiança de torcedores. A grande sequência de títulos baianos já foi marca inicial do clube, mas o final da década de 50 eleva o clube ao patamar nacional como primeiro campeão brasileiro e, em seguida, ser o primeiro representante do país na Libertadores, em 1960. O sucesso não ficou restrito a esses 2 anos, já que o Bahia teve participação destacada na década de 60, com mais dois vice-campeonatos e colocações entre os 10 primeiros por outras 3 temporadas naqueles 10 anos. Tudo isso num tempo em que o esporte estava longe de enriquecer os seus atletas e, ao mesmo tempo, jamais colocava os dirigentes à frente dos seus principais atores (os craques).
E a história prossegue pelas décadas seguintes, com mais "altos" do que "baixos", e sempre com a marca de um clube com mando de campo demolidor e fama de visitante indigesto. Nesse contexto os feitos tricolores estiveram sempre marcados por percursos que desafiavam a lógica estabelecida, onde, como ainda é hoje, o eixo Sul-Sudeste se impôs com todas as forças da política futebolista e da Comunicação.
Em 1988 o Bahia surpreende mais uma vez os desavisados incrédulos e os supostos donos do futebol brasileiro. Desbancar o Fluminense e em seguida despachar o Internacional dentro do Beira-Rio não era para qualquer clube baiano, era missão reservada ao Tricolor de Aço. O elenco, com formação que trazia pratas da casa, como o líder Bobô, superou o favorito a 2 empates nos jogos finais e subverteu a ordem imposta pela Imprensa nacional, sendo maior do que a força do Inter de Falcão e Taffarel. Na Libertadores de 1989 o Bahia terminou em 5º lugar, após empate na Fonte Nova com o próprio Internacional.
A história de grande clube esteve abalada apenas nos últimos 20 anos, fruto de uma desordem administrativa sem precedentes. No centro dessa saga de destruição, uma família e seus aliados, todos, infelizmente, distantes do verdadeiro espírito da Nação Tricolor: a era dos Guimarães.
Há 2 anos, ainda que sem contextualizar diretamente os responsáveis, desafiamos a continuidade da mesmice das última 2 décadas, onde o Tricolor de Aço se encolhera e, ano após ano, lutava para não cair e, indo mais ao fundo do poço, por 2 anos lutou para subir até mesmo da série-C ... (os famigerados 8 anos de vergonha) e, novamente, em 2011 e 2012, na série-A, voltou a ser forte candidato ao rebaixamento, salvando-se nas últimas rodadas. Voltar a ter título baiano era o trivial, depois do retorno à série-A, mas essa parecia ser a única meta ex-tuiteiro, ex-presidente "mgf". Foi nesse contexto que lançamos o desafio - AoTriBahia -, ainda que cientes da utopia que isso significava, para um clube fraco em diversos sentidos e, particularmente, esfacelado na sua administração. A provocação, no entanto, era dirigida a uma gestão que agia com passos de tartaruga e mirava apenas o campeonato baiano como degrau para continuar subindo e pisando na honra do torcedores. Os discursos de pequenez, assim como as ações, se faziam proporcionais aos descalabros administrativos e sinistros, num ambiente de politicagem, obscuro e contraditório em tempos de futebol profissionalizado.
Fim! Basta, senhores Guimarães! A "Fantástica Fábrica de Chocolate" não lhes pertence! E já que todas as tentativas de lhes mostrar isso, pelos torcedores, foram ignoradas, restou-nos a Justiça e a seriedade dos homens de boa fé. Basta, senhores Guimarães! Chegou a hora de procurarem outras fontes para beber sem que precisem fazer maior esforço e que justifique a conquista: o TRABALHO. No passado, na época dos reinados, a essa palavra não era atribuído o valor devido, já que trabalhar era coisa relegada ao povo, aos menos favorecidos e que, por isso, eram reconhecidos sem valor. Daí, os exploradores trouxeram outros sentidos, passados os tempos de escravidão, e afirmaram que o trabalho dignifica o homem. Essa estratégia prevalecia no controle social sobre os trabalhadores, na crença da dignidade. Os tempos mudaram, senhores Guimarães, e, de fato, a grande maioria dos Torcedores Tricolores acreditam que o trabalho dignifica, sim, porém não mais porque algum explorador determina para atendimento de seus interesses escusos. A crença, agora, é sinal dos novos tempos, onde não cabe mais a imposição e a exploração do trabalho alheio para apropriarem-se do que não lhes pertence. O Bahia de Todos renasce, para o bem da Nação Tricolor: o Bahia da Torcida. Renasce, independente das pragas das últimas décadas, para voltar a ocupar o lugar de destaque que sempre teve no cenário estatual, regional e nacional.
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