Felipão e o Teatro dos Desesperados

Por C.Lopes
Em 01/07/2014


A seleção do Felipão não nos representa. Parodiar o momento atual do futebol brasileiro com o momento histórico das nanifestações do ano passado pode nos fazer refletir sobre: o quanto estávamos equivocados com aqueles à frente da nossa equipe na Copa das Confederações, e agora na Copa-2014, que teria tudo para deixar um legado de orgulho para a Nação.

Ao contrário, a CBF parece pouco incomodada com aqueles que assumem cargos para manchar a sua história. Crises do passado e falta de ética, à parte, não podemos negar a importância do esporte, que além da emoção e da auto-estima de um povo, deixa outros legados. Se assim não fosse, outras grandes nações jamais fariam tanto investimento na preparação de atletas olímpicos de diversas modalidades e em toda a infraestrutura do mundo do futebol.

Mesmo assim, o "salto alto" e a vaidade de alguns privilegiados que ganham fortunas para dirigir a seleção verde-e-amarela reaparecem como martelos que tentam forjar em nossos pés as ferraduras. Assim somos tratadas a cada 4 anos, como burros que devem admitir uma Imprensa com cabresto e proibida de ver o obvio em sua volta. Mas o abismo segue pelos lados, e o talento e organização dão lugar a uma corrida desesperada contra o medo.

Felipão está envergonhado. Somente se ele fosse um bobo, não estaria. O semblante do técnico da heróica Argélia, ao final do jogo contra a Alemanha, foi visto também pelo técnico brasileiro. Se o Brasil nem chegar à final, Scollari não deveria enfiar a cabeça no buraco (como faz o avestruz), porém, diante do semblante de Vahid Halilhodžić, técnico da Argkélia,  Felipão deveria se curvar e pedir desculpas ao povo brasileiro e a todos os amantes do futebol sério, criativo, tático e organizado que nos levaram aos primeiros títulos em Copa do Mundo. Convocação é coisa séria. E é o primeiro passo para formar e organizar um grupo unido e alinhado. A CBF vê hoje o Neymar estreando na Copa com 22 anos, e sabe que ele teria sido um excelente estagiário no elenco do também arrogante Dunga, há 4 anos. O reserva Pelé, com seus 17 anos de idade, fez história em jogos decisivos em 1958. E ele mesmo se "desconvocou" para aquela que seria a sua quinta Copa, a de 1974. Daniel Alves não teve a mesma sensibilidade e mancha a sua história, assim como em 2006 os medalhões Cafu e Roberto Carlos supunham dar conta de acompanhar jovens e velozes atacantes adversários. Quem observa o padrão de jogadas de Fred, como "matador" no Fluminense, sabe que ele sempre esteve longe do padrão "Seleção Brasileira". Pivotear jogadas para travar a defesa adversária é muito pouco para o tal "padrão fifa", portanto, não dava para esperar coisa melhor do Fred. O estabanado Jô, com o seu raciocínio e insegurança típicos de quem "morre" sem passar do treinamento, talvez tenha sido convencido de que poderia ser um Jairzinho como o da Copa de 70; mas quando entra em campo parece ter calçado as chuteiras com os pés trocados.

Num parágrafo dedicado ao Neymar, resta dizer: lamentamos, merecias um elenco melhor, garoto.


Ao contrário do que se espera, o avanço aos trancos-e-barrancos da seleção brasileira não eliminaram os bordões #Filipescos. E se o seu estilo mudou do padrão "vamos vencer" para "se vencermos" a Colômbia, é sinal de nem a sua própria genitora (respeitosamente referenciada) acrediaria mais no seu trabalho. É o momento de sentarmos e esperarmos o próximo resultado, seguido da resenha de "Felipão e o seu teatro dos desesperados".