Se nos perguntarmos o que
achamos das guerras religiosas que dominam certos mundos, nós, brasileiros,
seremos taxativos: "coisa de doido!". Olhando para o nosso
"continente", diga-se, Brasil com tantas variantes culturais que de
alguma forma se unem por um único idioma oficial, parece fácil acreditar que
somos pacíficos, flexíveis e abertos a nos integrar sempre, mesmo com todas as
diferenças, sejam religiosas, como também outras ideologias, raças e credos.
Rá-rá-rá... Claro, podemos rir
um poquito, sabendo que esse jeitinho harmonioso é mera balela. E quando
o assunto é futebol hem, como é que fica essa aceitação sobre o direito de ir e
vir, do outro? Parece acabar logo alí, no momento em que um "louco"
encontra um "porco", assim, ao acaso, entre
bandeira corintiana e palmeirense se beijando no balanço do vento.
Xô satanás! ... Mas, afinal, quem é o deus e quem é o diabo?
Sem navegar para o lado de cá,
entre nós que carregamos orgulhosamente duas estrelinhas no peito e rival que
poderia se concentrar mais em sua própria história de glórias, melhor mesmo
ficarmos no conforto da distância e soltar o verbo nos grandes temas mundo
afora. Pra começar, nada melhor que aproveitar mais uma saga histórica daqueles
que insistem na possibilidade de superar o mito Pelé. Um mito e, ao mesmo
tempo, uma realidade, ainda que seja contraditório colocar dessa forma.
Muito se pode especular e
comparar, fazer novos modelos e tentar igualar e superar o eterno rei do
futebol, com todo o seu vasto repertório
e pioneirismo profissional, dedicação e modelo que esteve sempre à frente do
seu próprio tempo. Torcedores podem agir pela paixão, inerente ao devoto pelo
seu clube, sua seleção ou seu astro. Difícil é aceitar que uma celebridade do
futebol, como o Maradona, precise convencer o mundo que os maiores craques são
argentinos. Para a grande mídia, uma discussão fervorosa que aumenta as cifras.
Como nos antigos programas de auditório, com jurados rigorosos e polêmicos,
Maradona parece seguir o roteiro que foi combinado nos bastidores. Como publicado
hoje na Folha On Line, sobre o destaque de Messi como o melhor do mundo,
Maradona abre o verbo ao falar de Pelé: "... a culpa não é toda dele. Já
são 20 anos que ele não faz nada. Não o vemos nem no supermercado". E
segue, com provocação típica de quem tem um bom script pronto para que a
indústria venda muito jornal no dia seguinte, muita audiência na TV e tudo
mais. Nessa brincadeira, claro, Maradona também leva o pacote dele. Alguém
duvida? Ou acha que ele não sabe "farejar" dinheiro à distância?